Política CÂMARA DE PALMAS
Denúncia na Câmara de Palmas expõe suposto esquema de desvio de verbas de publicidade
Denúncias recentes apontam a existência de um sofisticado esquema de desvio de recursos públicos destinados à divulgação das atividades legislativas.
04/09/2025 15h51 Atualizada há 10 meses
Por: Patrícia Alves Fonte: Redação / Agência Tocantins
Foto: Divulgação

Um escândalo de proporções ainda incalculáveis ameaça abalar a Câmara Municipal de Palmas. Denúncias recentes apontam a existência de um sofisticado esquema de desvio de recursos públicos destinados à divulgação das atividades legislativas. O caso, que remete ao conhecido modus operandi da chamada “rachadinha”, envolve supostamente assessores parlamentares e veículos de comunicação de fachada.

O funcionamento do esquema

Segundo informações reveladas por veículos de comunicação da Capital, o desvio se daria por meio da criação de sites fictícios, registrados em nome de pessoas de confiança de vereadores, incluindo assessores parlamentares.

Esses “veículos”, sem sede física, equipe de jornalismo ou qualquer audiência real, existiriam apenas no papel. Ainda assim, conseguiam firmar contratos de publicidade custeados pela Comissão de Divulgação da Atividade Parlamentar (CODAP), cujo objetivo é garantir a transparência do trabalho dos vereadores junto à sociedade.

Na prática, porém, os valores destinados à publicidade eram pagos pela Câmara a esses sites fantasmas. Em seguida, conforme levantamentos, a maior parte do dinheiro retornava ao parlamentar, enquanto uma pequena parcela ficava com o intermediário responsável pela criação do veículo de fachada.

Riscos e consequências jurídicas

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Se confirmadas pelas investigações do Ministério Público e do Tribunal de Contas do Estado (TCE), as práticas podem configurar crimes graves, como:

Peculato – apropriação de recursos públicos por agentes políticos;

Improbidade administrativa – conduta que viola os princípios da legalidade e moralidade, podendo resultar em perda do mandato e suspensão de direitos políticos;

Lavagem de dinheiro – tentativa de ocultar a origem ilícita dos valores;

Formação de organização criminosa – caso se comprove a articulação contínua entre vereadores e assessores.

Impactos sobre a imprensa

Além do prejuízo financeiro, o caso traz um dano indireto à sociedade: a descredibilização da imprensa. A criação de sites de fachada coloca em xeque a credibilidade da comunicação local, confundindo a população e enfraquecendo o jornalismo profissional, que cumpre papel essencial no controle democrático e na fiscalização do poder público.

Silêncio da Câmara e expectativa de investigação

Até o momento, a Câmara Municipal de Palmas não se manifestou oficialmente sobre as denúncias. O silêncio preocupa representantes da imprensa, que cobram uma apuração interna imediata antes mesmo do avanço das investigações por parte do Ministério Público e do TCE.

Diante da repercussão, cresce a pressão por uma revisão urgente dos critérios de utilização da verba da CODAP, com a adoção de regras mais rígidas para contratação de veículos de comunicação, incluindo a exigência de comprovação de idoneidade, audiência real e atividade jornalística efetiva.

O caso pode se tornar um marco para a transparência do legislativo palmense e para a relação entre poder público e imprensa na Capital.



Reportagem: Patrícia Alves / Agência Tocantins