
A influenciadora Maria Karollyny Campos Ferreira, conhecida nas redes sociais como Karol Digital, teve a prisão preventiva convertida em prisão domiciliar por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Presa há três meses, ela é investigada por suposta participação em um esquema de exploração de jogos de azar por meio de plataformas digitais clandestinas, além de lavagem de dinheiro e crimes contra a economia popular.
Segundo a defesa, os advogados trabalham para que ela deixe o presídio ainda nesta sexta-feira (28). O STJ reconheceu que, por ser mãe de uma criança menor de 12 anos, a investigada tem direito à substituição da prisão preventiva pela domiciliar, conforme prevê a legislação e entendimentos consolidados pelos tribunais superiores.
As investigações começaram após denúncias de que Karol Digital promovia jogos on-line do tipo Fortune Tiger e outras modalidades de caça-níquel. Relatórios de Inteligência Financeira indicam movimentações consideradas incompatíveis com sua renda declarada, além de suposto uso de pessoas jurídicas e de terceiros para dissimular valores.
No total, o relatório aponta que o grupo teria movimentado aproximadamente R$ 217,6 milhões — somando valores de várias contas e empresas atribuídas aos investigados — entre 2022 e 2024. Parte desses recursos seria proveniente de plataformas de jogos não autorizadas e intermediadores financeiros.
Além disso, os autos mencionam a aquisição de imóveis de alto padrão e o uso de veículos de luxo sem registro em nome da influenciadora, o que reforçou a suspeita de ocultação patrimonial.
Apesar de conceder a prisão domiciliar para Karol Digital, o STJ manteve a prisão preventiva do outro investigado no caso, apontado como responsável por movimentações financeiras suspeitas e possível participação na estrutura de lavagem de dinheiro. Segundo o Tribunal, há indícios de que ele teria atuado na ocultação de valores e no fluxo financeiro do grupo, o que justificaria a manutenção da medida cautelar mais gravosa.
No julgamento, o STJ rejeitou diversos argumentos apresentados pela defesa, entre eles:
alegação de ilegalidade dos relatórios do COAF;
suposta ocorrência de fishing expedition (buscas genéricas sem fundamento);
pedido de trancamento ou suspensão das investigações;
argumento de que a nova lei das apostas teria extinguido a contravenção de jogos de azar.
O Tribunal destacou que não houve prova de que os relatórios tenham sido produzidos de forma ilícita e que a legalização das apostas pela Lei nº 14.790/2023 não abrange atividades realizadas sem autorização do governo, como as investigadas no caso.
Com a substituição da prisão por domiciliar, caberá ao juízo de origem definir as condições e medidas cautelares a serem cumpridas pela influenciadora. O caso segue em investigação e a legalidade das provas será examinada de forma definitiva no curso da ação penal.
Reportagem: Allessandro Ferreira / Agência Tocantins