
A Polícia Civil do Tocantins apura um suposto esquema de extorsões que teria feito ao menos duas vítimas em Palmas. As investigações, conduzidas pela 1ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado, tramitam sob sigilo, o que impede a divulgação de detalhes sensíveis e da identidade dos envolvidos.
De acordo com informações contidas nos autos, a principal investigada é uma jovem de 20 anos apontada como responsável por aplicar golpes após encontros íntimos com homens que conhecia por meio de redes sociais. Em um dos casos, registrado em setembro de 2025, a vítima relatou ter sido chantageada com ameaças de que o encontro seria exposto à família e ao ambiente de trabalho. Pressionado, o homem chegou a transferir R$ 3.500 para evitar a divulgação — pagamento que não impediu novas cobranças.
As ameaças, segundo a investigação, teriam sido feitas a partir de diversos números de telefone, o que dificultava a identificação da origem das mensagens. Além de pressionar a vítima, a suspeita também teria enviado recados intimidatórios a familiares. Outro inquérito, envolvendo uma segunda vítima, aponta para o mesmo modus operandi: desta vez, mais de R$ 12 mil foram pagos para tentar impedir a exposição de um relacionamento íntimo.
Os autos revelam ainda que as ameaças incluíam alegações que posteriormente se mostraram falsas, como uma suposta gravidez decorrente do encontro. Também eram exigidos valores adicionais para procedimentos médicos fictícios, elevando o impacto psicológico sobre as vítimas. Para o delegado Wanderson Queiroz, responsável pela divisão, delitos desse tipo afetam mais do que o patrimônio: “abalam a tranquilidade e expõem indivíduos e famílias a intenso sofrimento emocional”.
A Justiça autorizou, na manhã desta quarta-feira, uma operação de busca e apreensão na casa da investigada, no bairro Aureni III. A decisão destacou a gravidade da conduta, o risco de novas extorsões e a necessidade de preservar provas. Foram apreendidos dois celulares, considerados fundamentais para o avanço da investigação. O pedido de prisão preventiva chegou a ser analisado, mas foi negado pelo magistrado, que aplicou outras medidas cautelares, entre elas a proibição de contato com as vítimas e o impedimento de acesso ao local de trabalho de uma delas.
Casos semelhantes, segundo a Polícia Civil, têm crescido em diversas regiões do país, impulsionados pela facilidade de criar perfis falsos e pela vulnerabilidade de vítimas que temem a exposição de sua intimidade. No Tocantins, a corporação afirma que todos os registros estão sendo investigados com prioridade.
A jovem intimada deverá prestar depoimento nos próximos dias. O material apreendido segue para perícia, e a expectativa é de que o inquérito seja concluído em cerca de 15 dias. A ação integra a Operação Renorcrim, que reúne esforços estaduais e federais para o enfrentamento de práticas criminosas estruturadas em todo o país.
Reportagem: Patrícia Alves / Agência Tocantins