Cidades TRANSPORTE ESCOLAR
TCE investiga contratação de R$ 24 milhões feita na gestão de Cinthia Ribeiro e aponta irregularidades graves no transporte escolar de Palmas
Os valores da contratação emergencial ficaram aproximadamente 36% acima dos preços registrados em licitações anteriores. A contratada possuía capital social de apenas R$ 450 mil, valor incompatível com um contrato superior a R$ 24 milhões.
11/12/2025 10h53 Atualizada há 4 meses
Por: Allessandro Ferreira Fonte: Redação / Agência Tocantins
Ex-prefeita de Palmas, Cinthia Ribeiro Mantoan – Foto: Divulgação

O Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (TCE/TO) considerou procedente a representação que apura irregularidades em uma contratação emergencial de R$ 24,1 milhões realizada durante a gestão da ex-prefeita de Palmas, Cinthia Ribeiro Mantoan, para o serviço de transporte escolar rural. O contrato, firmado no início de 2024 pela Secretaria Municipal de Educação, ocorreu nos últimos meses da administração da ex-gestora, antes do encerramento de seu mandato.

O processo resultou em uma série de apontamentos do TCE, incluindo indícios de sobrepreço, pesquisa de preços insuficiente, falhas de planejamento e a contratação de empresa com baixa capacidade financeira para executar um serviço essencial a milhares de alunos da zona rural.

Segundo o documento do Tribunal ao qual a Agência Tocantins teve acesso, diante da gravidade das irregularidades, a Corte determinou a abertura de uma Tomada de Contas Especial para apurar responsabilidades, quantificar eventual prejuízo ao erário e identificar os agentes públicos envolvidos no episódio ocorrido ainda sob a gestão da ex-prefeita.

Contratação sob a gestão de Cinthia Ribeiro é alvo de apuração

A Dispensa de Licitação nº 01/2024, objeto central da representação, foi conduzida em janeiro de 2024 — período em que a Prefeitura seguia sob o comando de Cinthia Ribeiro. A Secretaria Municipal de Educação contratou, em caráter emergencial, a empresa CNIT Serviços de Transportes Ltda, mesmo com capital social considerado muito baixo para suportar um contrato de tal magnitude.

TCE/TO considerou procedente a representação que apura irregularidades em uma contratação emergencial de R$ 24,1 milhões realizada durante a gestão da ex-prefeita de Palmas, Cinthia Ribeiro Mantoan, para o serviço de transporte escolar rural.

 

Continua após a publicidade

O Tribunal destacou que, embora o transporte escolar seja um serviço rotineiro e previsível, a gestão recorreu três vezes em 12 meses à contratação emergencial, o que, segundo a área técnica, demonstra falta sistêmica de planejamento durante a administração da ex-prefeita.

Irregularidades identificadas pelo TCE

1. Indícios de sobrepreço

Os valores da contratação emergencial ficaram aproximadamente 36% acima dos preços registrados em licitações anteriores.
A gestão justificou a elevação com base no aumento de custos operacionais, mas não apresentou planilhas, estudos técnicos ou comparativos de mercado que comprovassem o reajuste — falha que, segundo o TCE, fragilizou a defesa.

2. Empresa com baixa capacidade financeira

A contratada possuía capital social de apenas R$ 450 mil, valor incompatível com um contrato superior a R$ 24 milhões.
Para o TCE, o risco de inexecução era “elevado”, agravado pela ausência de garantias contratuais adicionais — recomendadas em contratações de grande porte.

3. Falhas de planejamento durante a gestão

Os auditores enfatizaram que o transporte escolar é uma demanda anual e previsível. A repetição de dispensas de licitação, segundo o Tribunal, evidencia deficiências graves de planejamento público no período final da gestão de Cinthia Ribeiro.

Defesa do então secretário de Educação

O secretário à época, Fábio Barbosa Chaves, afirmou que assumiu a pasta em agosto de 2023 — ainda na gestão de Cinthia Ribeiro — em meio a um cenário conturbado por investigações da Polícia Federal sobre contratações anteriores.

Ele alegou ter:

Mesmo assim, o TCE considerou que os argumentos não justificaram a falta de planejamento da administração municipal.

Multa, recomendações e responsabilizações

O TCE aplicou multa de R$ 3.500 ao ex-secretário Fábio Barbosa Chaves por contratar empresa com capacidade financeira insuficiente.
A Corte também excluiu do rol de responsáveis membros da Procuradoria, Controladoria e da equipe de licitações que não atuaram diretamente no processo de dispensa.

Tomada de Contas Especial sobre ato ocorrido na gestão de Cinthia Ribeiro

O ponto central da decisão é a determinação para que a Controladoria-Geral do Município instaure, em até 90 dias, uma Tomada de Contas Especial. O procedimento deverá:

O Tribunal também deixou claro que, caso se confirme dano ao erário, o Ministério Público poderá ser acionado para avaliar medidas civis e penais cabíveis.

Repercussão e próximos passos

A decisão reforça a necessidade de rigor e transparência na contratação de serviços públicos, sobretudo em áreas sensíveis como educação e transporte escolar.
Com a instauração da Tomada de Contas Especial, a gestão que sucedeu a de Cinthia Ribeiro terá de fornecer documentos e colaborar com as investigações.

Dependendo das conclusões, a ex-prefeita Cinthia Ribeiro, seus auxiliares e demais servidores envolvidos poderão ser formalmente responsabilizados.

Posicionamento da ex-prefeita e da Prefeitura

A Agência Tocantins tentou contato com a assessoria da ex-prefeita Cinthia Ribeiro Mantoan, porém não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação da ex-gestora a qualquer momento.

Em nota a prefeitura de Palmas, através da Controladoria-Geral do Município informou que após ser informada sobre o processo realizado pela Corte de  Contas do TCE, determinou que fosse criada a comissão técnica para realizar a tomada de contas, veja a íntegra da nota

A Controladoria-Geral do Município de Palmas informa que tomou conhecimento, em 02 de dezembro de 2025, da decisão do Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (Acórdão TCE/TO nº 1176/2025-Pleno), que determina a abertura de Tomada de Contas Especial para apurar possível irregularidade na despesa com transporte escolar de alunos da zona rural, do Ensino Infantil e do Ensino Fundamental da Rede Municipal de Ensino.

Após receber a comunicação oficial, registrada na Declaração de Envio 2755/2025 do TCE, a Controladoria determinou imediatamente a indicação da equipe técnica responsável pelo início dos trabalhos. As atividades serão realizadas dentro do prazo de até 90 dias, conforme estabelecido pelo Tribunal de Contas.

 

Continua após a publicidade

 

Continua após a publicidade

Reportagem: Allessandro Ferreira / Agência Tocantins