
O tráfego congestionado na Ponte Governador José Wilson Siqueira Campos, principal ligação entre Palmas e o distrito de Luzimangues, na rodovia TO-080, levou o Ministério Público do Tocantins (MPTO) a expedir uma recomendação ao Estado do Tocantins e à Agência Tocantinense de Transportes e Obras (AGETO). A recomendação do Ministério Público foi divulgada nesta sexta-feira, 19.
O objetivo é a adoção imediata de medidas que melhorem a fluidez do trânsito e garantam a segurança dos usuários da via, sobretudo durante o período de fim de ano, quando o fluxo de veículos aumenta significativamente.
A recomendação foi emitida no âmbito de um procedimento administrativo instaurado pela 7ª Promotoria de Justiça de Porto Nacional, após o MPTO receber diversas reclamações da população sobre os transtornos causados pelas obras de duplicação da ponte. A iniciativa do Ministério Público ocorreu depois que uma reportagem da Agência Tocantins sobre o tema gerou ampla repercussão nas redes sociais.
Segundo o MPTO, o sistema “pare e siga” adotado no local tem provocado longos congestionamentos, atrasos excessivos e riscos à segurança de motoristas, pedestres e usuários de serviços de emergência. Há relatos de filas quilométricas e falhas na organização do tráfego, agravadas pela falta de coordenação operacional durante a execução das obras.
Leia também:
Entre as recomendações, o Ministério Público orienta que, se houver viabilidade técnica, sejam suspensas temporariamente as intervenções na pista ou liberadas totalmente as faixas de tráfego entre os dias 20 de dezembro de 2025 e 5 de janeiro de 2026. Caso isso não seja possível, a AGETO deverá adotar a alteração temporária do sentido das faixas nos horários de maior fluxo, como forma de minimizar os congestionamentos.
O documento também recomenda a otimização do sistema “pare e siga”, com a substituição dos tempos fixos por uma operação dinâmica, ajustada conforme o tamanho real das filas. Além disso, o tempo máximo de espera dos motoristas deve ser limitado e amplamente divulgado, a fim de reduzir o desgaste dos condutores e diminuir o risco de acidentes.
Outro ponto considerado essencial pelo MPTO é a criação imediata de um protocolo de prioridade para veículos de emergência. Ambulâncias, viaturas policiais e veículos do Corpo de Bombeiros devem ter passagem garantida, com interrupção imediata do “pare e siga” sempre que houver atendimento emergencial.
A recomendação também cobra maior transparência por parte da AGETO, com a divulgação de informações como a identificação da empresa responsável pela obra, o cronograma físico-financeiro atualizado e a comprovação da presença de fiscais no local para acompanhamento contínuo dos serviços.
Nos últimos dias, a duplicação da TO-080 no trecho da ponte tem causado um verdadeiro colapso no trânsito. De acordo com apuração da reportagem da Agência Tocantins no local da obra, há motoristas que chegaram a permanecer mais de 40 minutos parados aguardando autorização para a travessia, em ambos os sentidos e em diferentes horários do dia, evidenciando desorganização no controle do fluxo.
Para trabalhadores que residem em Luzimangues e atuam em Palmas, os impactos têm sido ainda mais severos. A travessia, que antes durava poucos minutos, tornou-se imprevisível, resultando em atrasos frequentes, perda de compromissos profissionais, consultas médicas e até horários de entrada no trabalho.
Moradores e usuários da rodovia também reclamam da falta de comunicação por parte da empresa responsável e do governo estadual sobre os horários de maior restrição, as etapas da obra e a previsão de normalização do tráfego. Segundo eles, o sistema “pare e siga” tem funcionado de forma desigual, com liberação prolongada em apenas um sentido, enquanto o outro permanece bloqueado sem explicações aparentes.
Diante da situação, aumentam as cobranças para que o Governo do Tocantins intervenha de forma mais efetiva, exigindo planejamento mais eficiente, reforço das equipes de controle de tráfego, melhoria da sinalização e adoção de medidas que reduzam os impactos na rotina de quem depende diariamente da TO-080.
Embora a duplicação da rodovia seja considerada uma obra essencial para garantir mais segurança e fluidez no futuro, o sentimento predominante entre os moradores é de frustração e desgaste. Para eles, a falta de organização transformou uma intervenção necessária em um transtorno diário que compromete a mobilidade e o direito de ir e vir da população.
Reportagem: Allessandro Ferreira / Agência Tocantins