Apuração AÇÃO DO MPTO
Ação civil pública do MPTO cobra identificação da frota oficial de Pequizeiro
Ministério Público aponta uso irregular de veículos sem plotagem, incluindo caminhonete supostamente utilizada pelo prefeito para fins particulares.
23/01/2026 20h36
Por: Patrícia Alves Fonte: Redação | Agência Tocantins
Foto: Divulgação

O Ministério Público do Tocantins (MPTO) ajuizou, nesta quinta-feira, 22, uma ação civil pública (ACP) com pedido de liminar contra o município de Pequizeiro, requerendo a imediata regularização da identificação visual de toda a frota oficial da administração municipal. A medida tem como objetivo coibir o uso indevido de veículos públicos, diante de indícios de que automóveis descaracterizados estariam sendo utilizados para interesses particulares.

Pequizeiro está localizado na região noroeste do Tocantins, a cerca de 250 quilômetros de Palmas.

A ação foi motivada por denúncia anônima encaminhada à Ouvidoria do MPTO, relatando que o prefeito Jocélio Nobre da Silva estaria utilizando uma caminhonete Hilux, pertencente ao município e sem adesivagem oficial, para atividades pessoais, incluindo viagens a Belém, no estado do Pará. De acordo com o Ministério Público, o mesmo veículo foi recentemente fotografado em um restaurante situado em um ponto turístico do município de Couto Magalhães, fato que também está sob apuração.

Na petição, o MPTO sustenta que a ausência de identificação ostensiva nos veículos oficiais configura “flagrante ilegalidade” e viola os princípios constitucionais da impessoalidade, moralidade e publicidade, previstos no artigo 37 da Constituição Federal.

Pedidos da ação

Além da plotagem imediata da caminhonete Hilux e dos demais veículos descaracterizados, o Ministério Público requer que o Judiciário determine a adoção de mecanismos rigorosos de controle da frota municipal. Entre as medidas solicitadas estão:

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Uso irregular e fragilidade na fiscalização

Segundo o promotor de Justiça Matheus Eurico, responsável pela ação, a falta de identificação visual compromete o controle social e dificulta a fiscalização por parte da população. “A descaracterização dos veículos impede que a sociedade reconheça o bem como patrimônio público, favorecendo o desvio de finalidade de forma praticamente anônima”, destaca o promotor na peça jurídica.

O Ministério Público ressalta ainda que a inexistência de controles formais de uso amplia o risco de utilização dos veículos oficiais para fins estranhos ao interesse público, sem possibilidade efetiva de responsabilização.

Resistência da gestão municipal

Antes de ingressar com a ação judicial, o MPTO expediu recomendação administrativa ao município de Pequizeiro. No entanto, a gestão municipal informou que não realizaria a plotagem do veículo utilizado pelo chefe do Executivo, alegando inexistência de obrigação legal para identificação do carro do prefeito.

Como justificativa, o município também citou razões de “segurança institucional e pessoal”, afirmando que o gestor sofreria perseguições políticas no âmbito local.

O Ministério Público rebateu o argumento, esclarecendo que as exceções previstas na legislação federal quanto à identificação visual de veículos oficiais se aplicam exclusivamente a automóveis de representação de altas autoridades, como a Presidência da República e ministros de Estado, não alcançando prefeitos municipais.

A ação aguarda apreciação do Poder Judiciário, que deverá analisar o pedido liminar apresentado pelo MPTO.

 

 

Reportagem: Patrícia Alves / Agência Tocantins