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Polícia Civil do Tocantins deflagra operação “Cartão Oculto” contra organização criminosa responsável por fraude milionária

Suspeitos foram localizados em quatro estados; prejuízo ultrapassa R$ 1 milhão.

Patrícia Alves
Por: Patrícia Alves Fonte: Redação | Agência Tocantins
05/02/2026 às 10h18 Atualizada em 05/02/2026 às 10h52
Polícia Civil do Tocantins deflagra operação “Cartão Oculto” contra organização criminosa responsável por fraude milionária
Operação contra esquema de fraudes eletrônicas foi deflagrada pela DEIC de Araguaína - Foto: Divulgação PCTO

A Polícia Civil do Estado do Tocantins, por meio da 3ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (3ª DEIC – Araguaína), deflagrou nesta quinta-feira,05, a Operação Cartão Oculto, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro. O grupo é investigado por causar prejuízo estimado em mais de R$ 1 milhão a uma instituição de pagamentos.

A ação, coordenada pelo delegado titular da unidade, Márcio Lopes da Silva, cumpre cinco mandados de busca e apreensão nos municípios de Araguaína (TO), Divinópolis (MG), Ribeirão Preto (SP) e Nova Iguaçu (RJ). Além das buscas, o Poder Judiciário também determinou o bloqueio de ativos financeiros nas contas dos investigados, até o limite do valor desviado.

A investigação

As apurações tiveram início após denúncia formalizada pela empresa vítima, que identificou movimentações atípicas e um elevado volume de transações suspeitas em seu sistema. A partir de análises técnicas e do rastreamento financeiro, os policiais constataram a existência de um esquema estruturado voltado à aplicação de golpes por meio de operações eletrônicas simuladas.

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Conforme levantado durante a investigação, a organização criminosa seria liderada por um morador de Araguaína, responsável pela criação e manutenção de uma empresa de fachada, utilizada exclusivamente para conferir aparência de legalidade às transações fraudulentas.

Como funcionava o golpe

De acordo com as investigações, os criminosos simulavam vendas que nunca ocorreram para induzir a instituição de pagamentos a liberar valores indevidos. Para isso, utilizavam dados de cartões de crédito obtidos de forma ilegal e registravam compras fictícias em nome da empresa de fachada.

Após o lançamento das transações no sistema, como se fossem vendas legítimas, os investigados solicitavam a antecipação dos valores a receber. Dessa forma, o dinheiro era liberado quase imediatamente, antes que as fraudes fossem identificadas. Assim que os recursos eram creditados, os valores eram rapidamente transferidos para diversas contas bancárias de terceiros, conhecidas como “laranjas”, localizadas em diferentes estados, dificultando o rastreamento e a recuperação do dinheiro.

O esquema criminoso seguia quatro etapas principais: obtenção ilegal de dados de cartões de crédito, por meio de páginas falsas na internet e compra de informações em redes clandestinas, na técnica conhecida como phishing; registro de vendas fictícias na modalidade on-line, sem a presença do cartão; solicitação de antecipação dos recebíveis para liberação rápida dos valores; e dispersão do dinheiro por meio de transferências fracionadas para contas de terceiros, com o objetivo de ocultar a origem ilícita dos recursos.

Função dos investigados

As diligências também apontaram uma clara divisão de tarefas entre os integrantes da organização criminosa. Em Araguaína (TO), o principal articulador era responsável pelo registro da empresa de fachada e pela execução das transações fraudulentas. Em Divinópolis (MG), um dos investigados atuava como coordenador técnico, encarregado da criação de páginas falsas e do gerenciamento de contas utilizadas nos golpes. Já em Nova Iguaçu (RJ), outro integrante possuía conhecimento tecnológico para burlar sistemas de verificação de identidade e captar dados de cartões de crédito. Em Ribeirão Preto (SP), os envolvidos atuavam como facilitadores financeiros, recebendo e pulverizando os valores desviados.

 Dinheiro em espécie foi apreendido durante as buscas - Divulgação PCTO
 Dinheiro em espécie foi apreendido durante as buscas - Foto: Divulgação PCTO

Apreensões

Durante o cumprimento dos mandados judiciais, foram apreendidos aparelhos celulares, computadores de alta performance, a quantia de R$ 18 mil em espécie, além de documentos relacionados à prática de fraude eletrônica. Todo o material será submetido à perícia, com o objetivo de identificar outros envolvidos e aprofundar as investigações.

Celulares e computadores também foram apreendidos - Divulgação PCTO
Celulares e computadores também foram apreendidos - Foto: Divulgação PCTO

Integração interestadual

A autoridade policial responsável pela operação destacou a importância da ação e do trabalho integrado entre as equipes envolvidas.

“Estamos desarticulando uma organização criminosa estruturada, com divisão de tarefas e atuação em diversos estados, responsável por fraudes de grande impacto financeiro. A integração entre as equipes policiais foi fundamental para o sucesso da operação e para o avanço das investigações”, ressaltou o delegado Márcio Lopes da Silva.

As investigações seguem em andamento com o objetivo de identificar outros participantes do esquema criminoso, responsabilizar os envolvidos e recuperar os valores desviados.

 

Reportagem: Patrícia Alves / Agência Tocantins

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