
Uma denúncia do Ministério Público, com base em investigações da Polícia Federal, descreve a atuação de uma suposta organização criminosa instalada no alto escalão do Governo do Tocantins. O grupo teria operado em duas frentes complementares: o desvio de recursos da saúde pública, investigado na Operação Hygea, e o aparelhamento da estrutura da Segurança Pública para monitorar opositores e interferir em apurações sensíveis, alvo da Operação Éris.
No centro das acusações está o ex-governador Mauro Carlesse, apontado como líder da organização. Parte dos processos tramita em instância superior devido à conexão entre os fatos atribuídos a ele e aos demais investigados, com o objetivo de manter a análise sob um único colegiado.
Uma denúncia do Ministério Público, com base em investigações da Polícia Federal, descreve a atuação de uma suposta organização criminosa instalada no alto escalão do Governo do Tocantins. O grupo teria operado em duas frentes complementares: o desvio de recursos da saúde pública, investigado na Operação Hygea, e o aparelhamento da estrutura da Segurança Pública para monitorar opositores e interferir em apurações sensíveis, alvo da Operação Éris.
No centro das acusações está o ex-governador Mauro Carlesse, apontado como líder da organização. Parte dos processos tramita em instância superior devido à conexão entre os fatos atribuídos a ele e aos demais investigados, com o objetivo de manter a análise sob um único colegiado.
Saúde sob suspeita: propina para liberar pagamentos
A Operação Hygea apura um suposto esquema de cobrança de até 10% de propina para autorizar pagamentos a hospitais credenciados ao Plansaúde, plano de assistência à saúde dos servidores estaduais. Segundo a denúncia, o grupo teria movimentado mais de R$ 40 milhões.
De acordo com o Ministério Público, o núcleo político definia diretrizes e destinos dos valores, enquanto operadores faziam a interlocução com empresários e servidores estratégicos da administração.
São réus na Hygea:
Segundo a Polícia Federal, parte dos valores teria sido ocultada por meio de registros de bens em nome de terceiros e movimentações financeiras destinadas a afastar o vínculo direto com o núcleo político.
Segurança Pública: monitoramento e blindagem
Já a Operação Éris investiga o suposto uso da Secretaria da Segurança Pública para proteger o grupo e esvaziar investigações que pudessem atingir integrantes do governo.
A denúncia sustenta que delegados e investigadores teriam sido monitorados e, em alguns casos, afastados de apurações consideradas sensíveis. O objetivo seria impedir o avanço de procedimentos que envolvessem contratos do Plansaúde ou integrantes do alto escalão.
Entre os réus na Éris estão:
Para os investigadores, as duas frentes funcionavam de maneira integrada: enquanto um núcleo cuidava da captação dos recursos ilícitos, outro garantiria proteção institucional.
O que dizem as defesas
O advogado Murilo Armando, que representa Mauro Carlesse, afirma que o ex-governador é inocente e que as acusações não possuem base probatória consistente, sustentando que a tese do Ministério Público será desmontada ao longo da instrução.
A defesa de Neyzimar Cabral, por meio do advogado Abizair Paniago, informou que o ex-secretário participa regularmente dos atos processuais e que demonstrará sua inocência ao final do processo.
A reportagem tenta contato com as defesas dos demais réus citados. O espaço permanece aberto para manifestação.
Reportagem: Patrícia Alves / Agência Tocantins