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MP aponta organização criminosa no alto escalão do ex-governo do TO; ex-governador e aliados viram réus

No centro das acusações está o ex-governador Mauro Carlesse, apontado como líder da organização.

Patrícia Alves
Por: Patrícia Alves Fonte: Redação | Agência Tocantins
03/03/2026 às 09h40
MP aponta organização criminosa no alto escalão do ex-governo do TO; ex-governador e aliados viram réus
Ex-governador do Tocantins, Mauro Carlesse — Foto: Washington Luiz/Governo do Tocantins

Uma denúncia do Ministério Público, com base em investigações da Polícia Federal, descreve a atuação de uma suposta organização criminosa instalada no alto escalão do Governo do Tocantins. O grupo teria operado em duas frentes complementares: o desvio de recursos da saúde pública, investigado na Operação Hygea, e o aparelhamento da estrutura da Segurança Pública para monitorar opositores e interferir em apurações sensíveis, alvo da Operação Éris.

No centro das acusações está o ex-governador Mauro Carlesse, apontado como líder da organização. Parte dos processos tramita em instância superior devido à conexão entre os fatos atribuídos a ele e aos demais investigados, com o objetivo de manter a análise sob um único colegiado.

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Uma denúncia do Ministério Público, com base em investigações da Polícia Federal, descreve a atuação de uma suposta organização criminosa instalada no alto escalão do Governo do Tocantins. O grupo teria operado em duas frentes complementares: o desvio de recursos da saúde pública, investigado na Operação Hygea, e o aparelhamento da estrutura da Segurança Pública para monitorar opositores e interferir em apurações sensíveis, alvo da Operação Éris.

No centro das acusações está o ex-governador Mauro Carlesse, apontado como líder da organização. Parte dos processos tramita em instância superior devido à conexão entre os fatos atribuídos a ele e aos demais investigados, com o objetivo de manter a análise sob um único colegiado.

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Saúde sob suspeita: propina para liberar pagamentos

A Operação Hygea apura um suposto esquema de cobrança de até 10% de propina para autorizar pagamentos a hospitais credenciados ao Plansaúde, plano de assistência à saúde dos servidores estaduais. Segundo a denúncia, o grupo teria movimentado mais de R$ 40 milhões.

De acordo com o Ministério Público, o núcleo político definia diretrizes e destinos dos valores, enquanto operadores faziam a interlocução com empresários e servidores estratégicos da administração.

São réus na Hygea:

  • Mauro Carlesse, ex-governador;
  • Claudinei Quaresemin, ex-secretário de Parcerias e Investimentos e sobrinho de Carlesse, descrito como articulador político;
  • Dayana Kiriliuk Carlesse Alves, filha do ex-governador, denunciada por suposta ocultação de bens e lavagem de dinheiro;
  • Neyzimar Cabral de Lima, ex-secretário de Administração;
  • Dilma Caldeira de Moura, ex-subsecretária da Fazenda;
  • Ineijaim José Brito Siqueira, ex-diretor de Gestão do PlanSaúde;
  • Rodrigo Assumpção Vagas, ex-assessor especial;
  • Keliton de Sousa Barbosa, ex-secretário extraordinário;
  • Gabriela Almeida Carvalho, ex-secretária;
  • além de empresários e um contador ligados aos contratos investigados.

Segundo a Polícia Federal, parte dos valores teria sido ocultada por meio de registros de bens em nome de terceiros e movimentações financeiras destinadas a afastar o vínculo direto com o núcleo político.

Segurança Pública: monitoramento e blindagem

Já a Operação Éris investiga o suposto uso da Secretaria da Segurança Pública para proteger o grupo e esvaziar investigações que pudessem atingir integrantes do governo.

A denúncia sustenta que delegados e investigadores teriam sido monitorados e, em alguns casos, afastados de apurações consideradas sensíveis. O objetivo seria impedir o avanço de procedimentos que envolvessem contratos do Plansaúde ou integrantes do alto escalão.

Entre os réus na Éris estão:

  • Mauro Carlesse, acusado de uso indevido da máquina pública;
  • Claudinei Quaresemin, apontado como articulador político e operacional;
  • Rolf Costa Vidal, ex-secretário da Casa Civil, acusado de utilizar a estrutura estatal para frear investigações;
  • Raimunda Bezerra de Souza, ex-delegada-geral da Polícia Civil;
  • delegados, ex-corregedores e um ex-procurador municipal de Palmas que também ocupou cargo na Polícia Civil.

Para os investigadores, as duas frentes funcionavam de maneira integrada: enquanto um núcleo cuidava da captação dos recursos ilícitos, outro garantiria proteção institucional.

O que dizem as defesas

O advogado Murilo Armando, que representa Mauro Carlesse, afirma que o ex-governador é inocente e que as acusações não possuem base probatória consistente, sustentando que a tese do Ministério Público será desmontada ao longo da instrução.

A defesa de Neyzimar Cabral, por meio do advogado Abizair Paniago, informou que o ex-secretário participa regularmente dos atos processuais e que demonstrará sua inocência ao final do processo.

A reportagem tenta contato com as defesas dos demais réus citados. O espaço permanece aberto para manifestação.

 

 

Reportagem: Patrícia Alves / Agência Tocantins

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