A revelação de supostas mensagens entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro provocou forte repercussão no Congresso Nacional e ampliou o debate sobre transparência e ética na Suprema Corte. Parlamentares da oposição pedem a prisão do magistrado, enquanto integrantes da base governista defendem apuração rigorosa dos fatos e maior regulamentação sobre a conduta de ministros do tribunal.
As mensagens teriam sido encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro, investigado por suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master.
Oposição reage e cobra responsabilização
Parlamentares da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticaram duramente as revelações e passaram a pressionar por medidas contra o ministro do STF.
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que as suspeitas seriam incompatíveis com o cargo ocupado por Moraes e defendeu que o magistrado responda judicialmente pelos fatos.
O líder da minoria na Câmara, Gustavo Gayer (PL-GO), também criticou o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Segundo reportagens divulgadas pela imprensa, o acordo previa pagamentos que somariam R$ 129 milhões ao longo de três anos.
Já o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) classificou a situação como “insustentável” e cobrou providências das instituições responsáveis pela fiscalização.
Mensagens levantam suspeitas sobre interferência
De acordo com dados extraídos pela Polícia Federal do celular de Vorcaro, o banqueiro teria enviado mensagens ao interlocutor relatando negociações sobre a venda do Banco Master e mencionando o andamento de um inquérito sigiloso na Justiça Federal de Brasília.
Os registros indicam que, ao longo do dia em que foi preso pela primeira vez, em novembro de 2025, Vorcaro teria questionado se havia “novidades” no caso e perguntado se seria possível “bloquear” determinadas ações relacionadas à investigação.
Segundo os investigadores, para evitar rastreamento, os interlocutores teriam utilizado um método incomum de comunicação: escreviam mensagens em blocos de notas, capturavam a tela e enviavam a imagem pelo WhatsApp utilizando o recurso de visualização única.
Parlamentares pedem mais transparência
A repercussão também gerou reações entre parlamentares que defendem a investigação dos fatos, mas sem antecipar conclusões.
O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) defendeu a criação de um código de ética para o STF, com regras claras sobre relações entre magistrados e partes interessadas em processos.
Já o deputado Tarcísio Motta (PSOL-RJ) afirmou que o caso precisa ser esclarecido com total transparência.
Segundo ele, a credibilidade das instituições depende da apuração completa das suspeitas.
A deputada Heloísa Helena (Rede-RJ) também pressiona pela instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master e possíveis conexões com autoridades públicas.
STF nega troca de mensagens
Em nota divulgada nesta sexta-feira (6), o STF afirmou que Alexandre de Moraes não manteve conversas com Daniel Vorcaro na data mencionada nas reportagens.
Segundo a Secretaria de Comunicação do tribunal, uma análise dos dados indicaria que os prints encontrados no celular do banqueiro estavam associados a outros contatos de sua agenda, e não ao ministro do STF.
O comunicado acrescenta que as mensagens teriam sido direcionadas a terceiros, cujos nomes não foram divulgados por estarem protegidos por sigilo.
Banqueiro é transferido para presídio federal
Preso na terceira fase da Operação Compliance Zero, Daniel Vorcaro foi transferido nesta sexta-feira (6) para a Penitenciária Federal de Brasília, unidade de segurança máxima.
A transferência foi autorizada pelo ministro do STF André Mendonça, relator das investigações, após pedido da Polícia Federal. Segundo os investigadores, havia risco de o banqueiro interferir no andamento das apurações.
Mendonça também autorizou a abertura de um inquérito para investigar o vazamento de dados sigilosos do empresário, após pedido apresentado por sua defesa.
Caso amplia crise institucional
Nos bastidores do STF, ministros avaliam que a divulgação das mensagens pode gerar desgaste para a imagem do tribunal. O episódio ocorre em meio a uma crise institucional envolvendo as investigações sobre o Banco Master.
O ministro Dias Toffoli, que inicialmente relatava o caso na Corte, deixou a função após questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse.
A investigação da Polícia Federal apura um suposto esquema bilionário de fraudes no sistema financeiro, com suspeitas de crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A prisão de Vorcaro ainda será analisada pela Segunda Turma do STF, que deverá decidir se mantém ou revoga a medida nos próximos dias.
Reportagem: Patrícia Alves / Agência Tocantins