Saúde INOVAÇÃO CIENTÍFICA
Exclusivo: Jovem de 21 anos de Combinado se torna a primeira tocantinense a receber tratamento experimental e reacende esperança de voltar a andar
Extraída da placenta humana, a polilaminina pode estimular a reorganização dos circuitos nervosos e surge como uma nova aposta da ciência para lesões medulares.
02/04/2026 16h24
Por: Allessandro Ferreira Fonte: Redação | Agência Tocantins
Sindy Mirella Santos Silva e sua mãe Ledjane Bezerra da Silva – Foto: Allessandro Ferreira / Agência Tocantins

Aos 21 anos, a vida de Sindy Mirella Santos Silva mudou drasticamente após um grave acidente de trânsito. Moradora de Combinado, no sudeste do Tocantins, ela agora enfrenta um dos maiores desafios de sua trajetória: recuperar os movimentos das pernas. Em meio à dor e às incertezas, uma nova esperança surge por meio da ciência.

Sindy tornou-se a primeira paciente tocantinense a participar de um tratamento experimental brasileiro que pode representar um avanço significativo na recuperação de pessoas com lesões medulares. A iniciativa, ainda em fase de testes, traz consigo não apenas expectativas médicas, mas também o sonho de recomeçar.

O acidente ocorreu no dia 11 de janeiro deste ano, na rodovia que liga Novo Alegre a Combinado. A jovem sofreu múltiplas lesões graves, incluindo sete costelas quebradas, fratura no braço direito e compressão medular. Após ser socorrida, passou por cirurgia no Hospital Geral de Palmas, onde recebeu o diagnóstico que mudaria sua rotina: paraplegia.

Diante da nova realidade, a família iniciou uma incansável busca por alternativas que pudessem oferecer alguma chance de recuperação. Foi assim que conheceram a polilaminina — também chamada de polinaminina — uma substância experimental desenvolvida por pesquisadores brasileiros e estudada como possível solução para a regeneração da medula espinhal.

Produzida a partir da placenta humana, a substância atua estimulando a reorganização dos circuitos nervosos. Desenvolvida pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ainda está em fase de testes clínicos e aguarda autorização da Anvisa para uso mais amplo.

Segundo a pesquisadora responsável pelo estudo, Tatiana Sampaio, os primeiros resultados são animadores. Ensaios com animais e pacientes indicaram recuperação parcial de movimentos — um avanço que pode tornar o tratamento uma alternativa mais acessível e segura em relação a terapias com células-tronco.

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Sindy recebeu a dose de polilaminina nesta quinta-feira, no HGP em Palmas – Foto: Reprodução / Agência Tocantins

 

Sindy atendeu aos critérios exigidos e já iniciou o tratamento. Para ela, cada etapa representa mais do que um procedimento médico: é a chance de recuperar a independência e reconstruir sua história.

Ao lado dela, a mãe, Ledjane Bezerra da Silva, acompanha cada passo com fé e determinação. Mesmo diante das dificuldades, não hesita em seguir lutando pela recuperação da filha.

Apesar dos avanços, a batalha também é financeira. A jovem precisará de cadeira de rodas, cadeira de transferência, cadeira de banho, medicamentos e sessões em uma clínica de reabilitação robótica — custos que estão além das condições da família.

Como ajudar

Quem quiser contribuir com a recuperação de Sindy pode participar dessa corrente de solidariedade de diferentes formas:

Mais do que voltar a andar, Sindy carrega um sonho no coração: retomar uma de suas maiores paixões — montar a cavalo e competir na prova dos três tambores. Entre desafios, esperança e coragem, ela segue firme, determinada a escrever um novo capítulo de superação.

Profissionais de Saúde do HGP que estão acompanhando a jovem – Foto: Allessandro Ferreira / Agência Tocantins

 

 

Profissionais de Saúde do HGP que estão acompanhando a jovem – Foto: Allessandro Ferreira / Agência Tocantins

 

Profissionais de Saúde do HGP que estão acompanhando a jovem – Foto: Allessandro Ferreira / Agência Tocantins

 

 

 

Reportagem: Allessandro Ferreira e Roberto Guerreiro / Agência Tocantins e TV Bandeirantes