Polícia MANDADOS DE PRISÃO
Operação Nêmesis: Polícia Civil prende suspeitos de agiotagem e extorsão no Tocantins
Entre os investigados estão um servidor público que atua em unidade prisional e dois policiais militares. A dívida teve início em Guaraí, após o empresário contrair um empréstimo com um dos investigados.
24/04/2026 07h06 Atualizada há 2 horas
Por: Patrícia Alves Fonte: Redação | Agência Tocantins
A Justiça autorizou as prisões preventivas após análise de provas como mensagens e registros audiovisuais – Foto: SSPTO / Reprodução / Agência Tocantins

A Polícia Civil do Tocantins deflagrou, na manhã desta quinta-feira (24), a Operação Nêmesis para desarticular um grupo investigado por agiotagem, extorsão e associação criminosa nos municípios de Guaraí e Palmas. Os nomes dos investigados não foram divulgados, e por esse motivo a Agência Tocantins não conseguiu contato com os advogados de defesa.

Foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva, seis de busca e apreensão e três de afastamento de funções públicas. A ação foi coordenada pela 1ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DEIC – Palmas), com apoio de unidades especializadas.

Cobrança com ameaças e juros abusivos

Segundo a investigação, o grupo atuava na cobrança ilegal de dívidas com uso de intimidação e violência. Um empresário de 45 anos e a mãe dele, de 65, são apontados como vítimas do esquema.

A dívida teve início em Guaraí, após o empresário contrair um empréstimo com um dos investigados. Ao longo de mais de dois anos, foram aplicados juros mensais que chegavam a R$ 4 mil, o que levou ao acúmulo do débito.

Mesmo após a venda do estabelecimento comercial da vítima, a dívida não foi considerada quitada. Já em Palmas, onde o empresário passou a morar, as cobranças teriam se intensificado.

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Divulgação / SSPTO 

 

Invasão de estabelecimento

De acordo com a polícia, em 25 de fevereiro de 2026, o grupo invadiu o comércio do empresário e, sob grave ameaça, exigiu o pagamento dos valores. Durante a ação, houve intimidação armada, inclusive contra a mãe da vítima.

Entre os investigados estão um servidor público que atua em unidade prisional e dois policiais militares. A polícia aponta que eles teriam utilizado suas funções para constranger as vítimas.

Um dos suspeitos também é investigado por simular o registro de uma ocorrência policial como forma de pressionar o pagamento da dívida.

Estrutura organizada

As apurações indicam que o grupo atuava de forma estruturada, com divisão de tarefas entre liderança, articulação e execução das cobranças. A Justiça autorizou as prisões preventivas após análise de provas como mensagens e registros audiovisuais.

Além das prisões, foram realizadas buscas em endereços ligados aos investigados, incluindo locais relacionados às funções públicas exercidas por alguns deles. Três suspeitos foram afastados dos cargos por 60 dias.

Investigações continuam

Segundo o delegado Wanderson Chaves de Queiroz, responsável pelo caso, a operação representa uma resposta às práticas criminosas.

As investigações seguem em andamento para identificar outros possíveis envolvidos no esquema.

 

 

Reportagem: Allessandro Ferreira / Agência Tocantins