A Polícia Civil do Tocantins deflagrou, na manhã desta terça-feira (5), a Operação Laços Quebrados, com o objetivo de cumprir mandados judiciais em uma investigação que apura fraudes milionárias em uma sociedade familiar do setor agropecuário no município de Divinópolis do Tocantins.
Coordenada pela 55ª Delegacia de Polícia da cidade, a ação contou com apoio das delegacias de Paraíso do Tocantins, além das unidades de Pium e de equipes especializadas do Grupo de Operações Táticas Especiais (Gote). As diligências ocorreram simultaneamente em áreas urbanas e rurais, com o objetivo de evitar a destruição de provas.
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, os policiais recolheram documentos, equipamentos eletrônicos, dinheiro em espécie, objetos de valor e dois veículos. Também foram realizadas inspeções em propriedades rurais e imóveis ligados aos investigados.
As investigações apontam que o caso envolve uma sociedade entre irmãos proprietários de fazendas na região. Segundo a apuração, um dos integrantes teria firmado contratos fraudulentos com instituições financeiras, utilizando os bens da sociedade como garantia sem o conhecimento dos demais sócios.
Os prejuízos estimados ultrapassam R$ 21 milhões. Parte dos recursos, que inicialmente seriam destinados à atividade agropecuária, teria sido desviada. Ainda conforme a Polícia Civil, filhos do principal investigado são suspeitos de participação no esquema, atuando como “laranjas”, além do envolvimento de uma contadora.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, Bruno Monteiro Baeza, a operação busca aprofundar a coleta de provas e interromper as atividades ilícitas. “As medidas cumpridas hoje têm como foco reunir elementos que comprovem o esquema investigado, identificar a destinação dos valores e interromper a continuidade das práticas criminosas”, afirmou.
As apurações também indicam o uso de documentos falsos e certificados digitais para viabilizar os contratos fraudulentos. A Justiça autorizou a quebra de sigilo bancário e telemático dos investigados, permitindo o acesso a dados financeiros, registros de transações e informações armazenadas em dispositivos e nuvens digitais.
Entre as medidas judiciais, foi determinado o bloqueio de bens e valores até o limite de R$ 21 milhões. Também foi decretada a apreensão das safras já colhidas e das que ainda estão em produção nas propriedades vinculadas à sociedade investigada. Empresas cerealistas foram notificadas a não repassar valores aos investigados, devendo depositá-los em conta judicial.
Os materiais apreendidos serão analisados e devem subsidiar o avanço das investigações, que seguem sob sigilo de Justiça.
Reportagem: Patrícia Alves / Agência Tocantins