O lançamento da pré-candidatura de Vicentinho Júnior ao Governo do Tocantins, realizado nesta sexta-feira, 15, no Centro de Convenções Comandante Vicentão, na Orla de Porto Nacional, prometia ser um divisor de águas na corrida eleitoral do estado. O material de divulgação estampava nomes de peso da política nacional, como Aécio Neves, presidente do PSDB; Hugo Motta, presidente da Câmara Federal; Helder Barbalho, ex-governador do Pará; Adolfo Viana, deputado federal; Marconi Perillo, presidente do Instituto Teotônio Vilela; e Paulo Abi-Ackel, secretário nacional do PSDB. Na prática, porém, o cenário ficou muito distante da expectativa criada pela organização.
As principais lideranças nacionais anunciadas não compareceram ao evento. O palco que deveria simbolizar a consolidação de Vicentinho Jr. no centro das articulações políticas nacionais acabou marcado por falas massantes, longas e sem capacidade de mobilização do público presente.
Adesão artificial
Fontes presentes no evento relatam que a maior parte do público foi levada ao local por meio de caravanas organizadas por aliados e prefeitos ligados ao grupo político da família do pré-candidato. Ônibus fretados de diferentes municípios do Tocantins garantiram volume de pessoas, mas não conseguiram transmitir espontaneidade ou engajamento político real. Faltou sentimento orgânico.
O resultado foi um público que estava ali mais pela logística organizada do que por identificação espontânea com o projeto político apresentado.
O peso do que não apareceu
A ausência das lideranças nacionais anunciadas não é detalhe. Em política, quem não comparece também envia sinais. A não participação de figuras como o presidente da Câmara Federal e do comando nacional do PSDB em um evento que utilizou seus nomes como chamariz político levanta questionamentos sobre o verdadeiro alcance da articulação nacional de Vicentinho Jr.
A avaliação é de que o evento expôs dificuldades do pré-candidato em converter relações institucionais em apoio político efetivo dentro de um projeto eleitoral para 2026.
Lançamento ou tropeço?
O evento “Pra Cima, Tocantins” era para ser o pontapé inicial de uma candidatura com ambições claras ao Palácio Araguaia. Saiu como um retrato do que ainda falta a Vicentinho Jr. construir base política real, discurso mobilizador e apoio nacional concreto, não apenas anunciado em peças de divulgação.
A pré-candidatura está lançada. Mas, o lançamento, é seguro dizer que não decolou.