O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) realiza, na próxima segunda-feira (1º de junho), a cerimônia oficial de entrega do título de Patrimônio Cultural do Brasil aos detentores da Ourivesaria de Natividade, no sudeste do Tocantins. O evento acontece às 8h, na Praça Leopoldo de Bulhões, dentro da programação comemorativa do aniversário da cidade.
O reconhecimento nacional consagra uma tradição centenária transmitida entre gerações de artesãos, que mantêm vivos conhecimentos, técnicas e práticas associadas à produção artesanal de joias em ouro e prata. As peças são conhecidas pela singularidade, riqueza de detalhes e forte vínculo com a identidade cultural da região.
O título será entregue de forma coletiva, contemplando todos os detentores e envolvidos na preservação desse saber tradicional. A inscrição da ourivesaria no Livro de Registro dos Saberes foi aprovada em novembro de 2025 pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, após um amplo processo de pesquisa e documentação realizado em parceria com a comunidade local, pesquisadores e instituições de ensino.
De acordo com o superintendente do Iphan no Tocantins, Danilo Curado, o reconhecimento representa uma valorização histórica da cultura local. “A entrega deste reconhecimento nacional é, sobretudo, uma homenagem aos mestres, às famílias e à comunidade que mantiveram viva essa tradição ao longo das gerações”, destacou.
Além da cerimônia, ainda no dia 1º de junho será realizada a primeira reunião para elaboração do plano de salvaguarda da atividade. O encontro ocorrerá no Escritório Técnico do Iphan e reunirá os detentores da tradição para discutir ações que garantam a continuidade da prática e a transmissão dos saberes às futuras gerações.
Tradição que une fé, arte e identidade
Reconhecida como patrimônio cultural brasileiro, a ourivesaria de Natividade é caracterizada pela produção de joias artesanais como crucifixos, colares, cordões, gargantilhas, brincos, pingentes, pulseiras e anéis, feitos a partir de ouro e prata extraídos da própria região.
Mais do que objetos de valor material, as peças carregam significados históricos, culturais e simbólicos. Muitas são inspiradas em elementos da natureza brasileira, como a flor do maracujá, e em manifestações religiosas, a exemplo dos corações nativos e diversos símbolos cristãos.
As joias fazem parte do cotidiano e das festividades religiosas da comunidade, sendo consideradas um dos principais pilares da identidade cultural de Natividade e de outros municípios do sudeste tocantinense.
Com o reconhecimento, a expectativa é fortalecer políticas públicas de preservação, incentivar a continuidade da tradição e ampliar a valorização da cultura tocantinense em nível nacional.
Reportagem: Allessandro Ferreira / Agência Tocantins