Polícia OPERAÇÃO POLICIAL
Operação “Sorte Falseada” mira influenciadora digital em Gurupi por suspeita de jogos de azar e lavagem de dinheiro
Polícia Civil cumpriu mandados de busca, apreensão e bloqueio de bens em investigação que aponta movimentações milionárias incompatíveis com renda declarada.
26/06/2026 12h32
Por: Patrícia Alves Fonte: Redação / Agência Tocantins
Mandados também foram cumpridos em imóveis vinculados à investigada no Tocantins - Foto: Hiago Muniz/Governo do Tocantins

A Polícia Civil do Tocantins deflagrou, na manhã desta sexta-feira (26), a Operação “Sorte Falseada”, que investiga uma influenciadora digital suspeita de envolvimento com a divulgação de jogos de azar on-line e lavagem de dinheiro no município de Gurupi, na região sul do estado.

A ação foi conduzida pela 1ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (1ª DEIC – Palmas), com apoio da 7ª Delegacia Regional de Polícia Civil (7ª DPRC – Gurupi), e cumpriu mandados de busca e apreensão, sequestro de bens, bloqueio de veículos e extração de dados de dispositivos eletrônicos.

A investigada, identificada pelas iniciais E.M., é suspeita de promover, por meio de redes sociais — especialmente o Instagram — plataformas de apostas ilegais conhecidas popularmente como “jogo do tigrinho”, com promessa de ganhos financeiros aos seguidores.

Investigação começou após denúncias

O inquérito policial foi instaurado em março de 2024, após denúncias anônimas relatarem a divulgação recorrente de jogos de azar em perfil de rede social, além da promessa de prêmios e lucros rápidos.

Ao longo das apurações, a equipe da 1ª DEIC identificou publicações que, segundo a investigação, eram utilizadas para incentivar a prática de apostas on-line. Também foram localizados vídeos em que a investigada teria feito ameaças a pessoas que demonstravam intenção de denunciar as plataformas aos órgãos competentes.

Movimentação milionária e indícios de lavagem de dinheiro

De acordo com a Polícia Civil, as diligências identificaram um conjunto de indícios de ocultação patrimonial, incluindo fracionamento de saques em espécie, pulverização de ativos e uso de terceiros, empresas de fachada e contas de passagem para movimentação financeira.

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As investigações apontam ainda que as contas vinculadas à suspeita teriam registrado movimentações milionárias em um período de um ano, valor considerado incompatível com a renda formal declarada.

No mesmo período, também foi identificada a aquisição de um imóvel em Palmas, avaliado em cerca de R$ 300 mil, pago em espécie, além de outros elementos que indicam possível utilização de estrutura empresarial para disfarce de movimentações financeiras.

Bens sequestrados e valores apreendidos

Durante o cumprimento das medidas cautelares autorizadas pela Justiça, foram sequestrados um apartamento em Palmas, avaliado em aproximadamente R$ 300 mil, além do bloqueio de uma caminhonete Toyota Hilux 2024 e de uma motocicleta elétrica.

Veículo e objetos pessoais são apreendidos em cumprimento de medidas cautelares - Foto: Hiago Muniz/Governo do Tocantins

 

Os policiais também apreenderam cerca de R$ 8 mil em espécie, nove notas de dólar, cartões bancários e objetos pessoais ligados à investigada.

Foram apreendidos de cerca de R$ 8 mil, cartões bancários e notas de dólar durante buscas - Foto: Hiago Muniz/Governo do Tocantins

 

Além disso, foram autorizadas buscas em imóveis relacionados ao caso e a extração de dados de aparelhos eletrônicos apreendidos. A Polícia Civil também representou pela suspensão do perfil utilizado para divulgação das plataformas de apostas, com preservação do conteúdo publicado.

“Modus operandi” e indícios consistentes, diz investigação

O delegado-chefe da 1ª DEIC, Wanderson Chaves de Queiroz, afirmou que os elementos reunidos apontam para possíveis práticas de ocultação de patrimônio e lavagem de capitais.

“O modus operandi identificado ao longo das investigações aponta para a possível utilização de terceiros, pulverização patrimonial e movimentações incompatíveis com a renda declarada, medidas que, em tese, teriam sido empregadas para dificultar o rastreamento da origem dos valores investigados”, disse.

Segundo ele, os elementos foram suficientes para embasar as medidas cautelares autorizadas pelo Poder Judiciário.

Ação integrada entre unidades da Polícia Civil

O delegado-regional da 7ª DPRC, Joadelson Rodrigues Albuquerque, destacou a importância da atuação conjunta entre as unidades especializadas e regionais.

“A ação demonstra o comprometimento da Polícia Civil no enfrentamento às práticas criminosas relacionadas a jogos de azar e à lavagem de dinheiro, garantindo uma atuação técnica e integrada das forças policiais”, afirmou.

Nome da operação

O nome “Sorte Falseada” faz referência, segundo a Polícia Civil, à falsa promessa de ganhos fáceis divulgada por plataformas de apostas on-line e à construção de uma imagem de prosperidade utilizada para atrair usuários e estimular a prática dos jogos de azar.

 

 

 

Reportagem: Patrícia Alves / Agência Tocantins