ELEIÇÕES 2018
O autoritarismo “do bem” e a ingenuidade a serviço do PT
Em associação a essa postura, há ainda um xodó pela tese de que é possível estabelecer pontes sólidas de interação com o petismo.
24/09/2018 13h17Atualizado há 6 meses
Por: Redação
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Já não há pudores em passar a responsabilidade para o outro. Até constranger e ridicularizar é permitido, caso o interlocutor assuma uma posição alheia àquela regida pela dicotomia Haddad versus Bolsonaro. Em linhas gerais, ou você vota em um partido espécie de versão tropical do nazismo.

E pouco importa se o PT deu inúmeras demonstrações de autoritarismo quando aparelhou o Estado e o próprio Judiciário para favorecer seu projeto de poder, ao endossar publicamente a ditadura venezuelana, ou aventando a matança de pessoas de modo a impedir que o seu líder fosse preso. Pouco importa, inclusive, se constantemente acena com uma obscura regulação da mídia.

A ojeriza e até mesmo o temor de LGBTs, negros e das minorias como um todo em relação à candidatura de Jair Bolsonaro extrapola o justificável. Contudo, o comportamento e a retórica que tenho percebido nas últimas semanas por parte de pessoas inequivocamente comprometidas com os valores democráticos têm sido de fazer inveja ao mais radical fã do capitão.

O nível de intransigência é idêntico. E também a estratégia, embora as guirlandas que ornamentam os espantalhos sejam diferentes. Se existe o fantasma do bolivarianismo e a certeza absoluta de que nos tornaremos uma Venezuela, por um lado, também é assegurada a transformação desse país em uma imensa Charlottesville, para não falar nos taques do Exército que tomarão nossas ruas e avenidas, por outro. No fundo, o que interessa mesmo é colonizar pelo medo, impondo ao ouvinte a responsabilidade de evitar o pior e, assim, amealhar um voto para o seu candidato.

Em associação a essa postura, há ainda um xodó pela tese de que é possível estabelecer pontes sólidas de interação com o petismo.

Figuras como Samuel Pessôa e Marcos Lisboa, apenas para citar os dois exemplos mais recentes, jamais se furtaram a dialogar com gente do quilate de um Fernando Haddad ou de uma Laura Carvalho. Algo em tese louvável, na medida em que são sabidamente de outra cepa e portanto podem contribuir para o debate. Acontece que qualquer conversa, para ser proveitosa, pede um ingrediente incompatível com a esquerda e o petismo em particular: honestidade intelectual.

Assim como agora, quando se provoca o boato de que Lisboa poderia assumir o Ministério da Fazenda em futuro governo Haddad, não deveria existir outra postura que não fosse a de negar taxativamente a hipótese. A questão é simples, não resta dúvida de que o Brasil ganharia com o seu brilhantismo a serviço da pasta econômica em um primeiro momento, mas também não cabe perder tempo imaginando o estrago que seria para o país o ressurgimento de uma nova era petista no poder.

Em resumo, é graças à nossa postura condescendente, por vezes até ingênua, que o Partido dos Trabalhadores sempre leva vantagem. E isso não tem nada a ver com a postura de Jair

 (Alessandro Ferreira / Repórter Agência Tocantins)

 

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