Sobre autoabandono
Falta de amor próprio e o autoabandono
Autoabandono na relação a dois
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20/10/2018 20h07Atualizado há 6 meses
Por: Ismeni Lima de Moura
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Tenho visto que, de um modo geral, as pessoas vivem em busca de aceitação, querem se sentir amadas, admiradas, apreciadas e cuidadas por outrem como condição para o contentamento e a felicidade. No entanto, querer ser aceito sem primeiro aceitar a si mesmo, é como construir uma casa sem alicerce, ou seja, não haverá sustentabilidade e acabará por ser desmoronada com as inevitáveis pressões que virão sobre ela. O amor próprio é o fio condutor de toda e qualquer relação bem sucedida, condição fundamental e indispensável para uma conexão saudável nas relações afetivas e sociais.

Muitas vezes, na busca por aceitação nos abandonamos, damos poder demais ao outro, e em contrapartida, nos rebaixamos na mesma proporção, abrindo mão da nossa capacidade de autorrealização.

É preciso entender que, para estarmos bem conosco mesmo, e consequentemente com o outro, será necessário: trabalho interno, ultrapassar limites emocionais e abrir mão de crenças limitantes, ou nunca conheceremos o nosso verdadeiro potencial e valor. O amor nunca deve ser cobrado ou exigido, e sim conquistado, quando o exigimos através de ameaças e de chantagens imaturas, revelamos a falta de fé em nós mesmos, perde a sua essência que se encontra na voluntariedade, na espontaneidade e na doação.

O autoabandono acontece quando tiramos de nós a responsabilidade de nos cuidarmos e nos relacionarmos de maneira digna com a totalidade do nosso ser, onde passamos a viver em um lugar de isolamento emocional, que não é necessariamente o afastamento do convívio social, mas sim o isolamento de nós mesmos.  É de fato um perigoso lugar para se estar. Tudo que é abandonado não tem vida, fica empoeirado e desbotado com o tempo, não é nem um pouco atrativo e dificulta muito o desejo e a alegria do outro de se fazer presente e compartilhar de si mesmo.

O desleixo é apenas uma pequena evidência dos maus-tratos que provocamos em nós quando nos rejeitamos. Estabelecemos então um ciclo perigoso e vicioso, quanto menos atenção do alvo de afeto maior o autoabandono, consequentemente, menos interessantes e mais sozinhos ficamos. Definitivamente as pessoas não desejam se relacionar conosco por piedade ou por serem pressionadas. Ninguém gosta do que não é cuidado, é no mínimo um paradoxo, culpamos o outro por não manifestar atitudes de zelo, de admiração e de amor para conosco, uma vez que esta é a nossa principal responsabilidade. Quem não consegue cuidar de si mesmo, emocionalmente, fisicamente e espiritualmente, não está em condições de cuidar de uma relação a dois. Quem não se ama, não se valoriza e não se cuida, não pode esperar os mesmos predicados de uma segunda pessoa, é impor sobre o ombro alheio um pesado fardo.

Ninguém nunca alcançou a felicidade dependendo de alguém, muito pelo contrário, o dependente se torna pegajoso, inseguro e acaba por frustrar o relacionamento.

Quem se ama sabe do valor que tem e ao estar ciente disso, não se sujeitará a migalhas de afeto. Estar em condições de viver em plenitude consigo mesmo, compreendendo que é uma pessoa especial demais para viver em função da atenção de outra, certamente haverá objetivos mais relevantes na vida.

À medida que fazemos de nós mesmos nossa melhor e principal companhia, haverá um fluir natural onde atrairemos o respeito de quem nos cerca e afastaremos aqueles que não têm muito a nos oferecer.

Nesse caso, ficará somente quem estiver a altura de usufruir do maravilhoso senso de dignidade, valor e amor próprio que emana de dentro de nós. Tudo começa em nós e é preciso entender que a autorresponsabilidade é o caminho mais seguro para a felicidade e satisfação interior. Não podemos transferir para o outro o que só nós mesmos estamos em condições de fazer. Não sejamos vítimas, sejamos autores da nossa história, vivendo-a em plenitude, com ou sem alguém do lado.

Não nos esqueçamos da infalível e imensurável sabedoria expressa no livro sagrado, que diz: “amar ao próximo como a ti mesmo”. Podemos compreender que, sem a dignidade e acolhimento que se faz presente na experiência de nos amarmos em toda nossa totalidade e verdades, jamais poderemos vivenciar a grandeza  de amar e ser amado em sua essência.

 

Ismeni Moura

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