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Documentos de inteligência revelam participação de Austrália em golpe de Estado no Chile

Entre março e agosto de 1971, o ASIS enviou agentes e equipamento para o Chile para montar uma base.

12/09/2021 às 18h12
Por: Edson Gilmar Fonte: SPUTNIK
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O então general-chefe do Exército do Chile, Augusto Pinochet, e o presidente do país Salvador Allende em foto de 23 de agosto de 1973 – Foto: © AP PHOTO / ENRIQUE ARACENA
O então general-chefe do Exército do Chile, Augusto Pinochet, e o presidente do país Salvador Allende em foto de 23 de agosto de 1973 – Foto: © AP PHOTO / ENRIQUE ARACENA

Documentos desclassificados pelo governo australiano revelam que o país ajudou a Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA, na sigla em inglês) a orquestrar golpe de Estado contra o presidente do Chile Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973.

 

De acordo com esses documentos entregues ao Museu da Memória e dos Direitos Humanos do Chile, e publicados pelo Arquivo de Segurança Nacional dos EUA, Washington interveio na desestabilização do governo de Allende e sua posterior queda, tendo também colaborado com a ditadura militar subsequente, liderada pelo golpista Augusto Pinochet.

 

Entre março e agosto de 1971, o ASIS enviou agentes e equipamento para o Chile para montar uma base. Essa estação funcionou por aproximadamente 18 meses, até 1973, e envolveu o recrutamento de vários cidadãos chilenos pela CIA, bem como o envio de relatórios de inteligência para a sede da CIA em Langley, no estado norte-americano da Virgínia

 

O general Augusto Pinochet ( de branco) acena na carreata de 11 de setembro de 1973 em Santiago, logo após o golpe que matou o presidente Salvador Allende – Foto: © AFP 2021

O general Augusto Pinochet ( de branco) acena na carreata de 11 de setembro de 1973 em Santiago, logo após o golpe que matou o presidente Salvador Allende – Foto: © AFP 2021

Ordem para término de operações

O então primeiro-ministro da Austrália, Gough Whitlam, eleito em dezembro de 1972, ordenou ao diretor do ASIS, William Robertson, que parasse com as operações no Chile.

Outro relatório também afirmou que o premiê australiano "estava bem ciente da importância desta [operação] para os norte-americanos" e "estava muito preocupado que a CIA interpretasse esta decisão [de fechar a base] como um gesto hostil aos EUA em geral, ou à CIA em particular".

Petições para desclassificação de documentos

A desclassificação destes documentos foi possível após uma série de pedidos apresentados por Clinton Fernandes, um antigo analista de inteligência do Exército da Austrália e professor de Estudos Políticos e Internacionais na Universidade de Nova Gales do Sul, na capital australiana, Camberra.

Em uma audiência pública fechada, decorrida em junho deste ano, funcionários governamentais entregaram a Fernandes centenas de registros do final de 1970 até meados de 1973 relativos à abertura, administração e encerramento da estação do ASIS em Santiago. Atualmente, o tribunal está considerando se deve obrigar o governo australiano a liberar mais registros históricos sobre o Chile.

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