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Comitiva do Tocantins avalia mais de 80 toneladas de fósseis na ABIN para repatriação

Naturatins, UFT e UFNT inspeciona os fósseis apreendidos pela Polícia Federal e alocados no pátio da ABIN, em Brasília, para retorno de peças de árvores fossilizadas, ao Estado.

24/11/2021 às 16h31
Por: Alessandro Ferreira Fonte: Secom / Governo do Tocantins
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Naturatins, UFT e UFNT inspeciona os fósseis no pátio da ABIN, em Brasília – Foto: Hermísio Alecrim/Governo do Tocantins
Naturatins, UFT e UFNT inspeciona os fósseis no pátio da ABIN, em Brasília – Foto: Hermísio Alecrim/Governo do Tocantins

Nesta quarta-feira, 24, uma comitiva do Tocantins formada por representantes do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) que atuam no Monumento Natural de Árvores Fossilizadas do Estado do Tocantins (Monaf), da Universidade Federal do Tocantins (UFT) e da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) avalia mais de 80 toneladas de madeiras fossilizadas apreendidas pela Polícia Federal e alocadas no pátio da Associação Brasileira de Inteligência (ABIN), em Brasília, para providenciar o retorno de peças às coleções de árvores fossilizadas do Estado. 

A missão da Comitiva do Tocantins teve início nesta terça-feira, 23 e se estende até o dia 27 de novembro de 2021. O traslado das peças ao Estado de origem será realizado em momento oportuno, para alocação dos fósseis nas coleções da UFT, UFNT e Naturatins.

“Este momento é considerado histórico para o Monaf, para a Paleontologia Brasileira e a Comitiva do Tocantins, uma vez que esses fósseis seriam contrabandeados e agora retornarão ao estado de origem. No Tocantins, as peças ficarão sob a guarda das instituições de ensino superior do Estado e do Naturatins, que conta com os cuidados de uma Unidade de Conservação (UC) de Proteção Integral, para esse tipo de material”, destaca Hermísio Alecrim, biólogo e gestor do Monaf - Tocantins.

“Nessa missão interinstitucional entre UFT, UFNT e Naturatins vamos vistoriar cerca de 80 toneladas de madeiras fossilizadas, extraídas de forma indevida da região do Monumento Natural das Árvores Fossilizadas do Tocantins. Essa oportunidade é resultado da mobilização do reitor Luiz Eduardo Bovolato, que sabendo da possibilidade de salvaguarda de parcela do material alocado no pátio da ABIN, por parte da UFT, reconhece a importância científica que esse material possui”, afirma Etiene Fabbrin Pires Oliveira, paleontóloga, professora doutora representante da UFT, campus de Porto Nacional.

“Contudo, o valor científico deste material é inestimável, tendo em vista que são peças ainda desconhecidas da ciência brasileira e que com a devida salvaguarda em instituições de ensino e pesquisa vão servir como base para futuras pesquisas e formação de pessoas tanto a nível de graduação como de pós-graduação”, avalia Etiene Oliveira.

“O retorno dos fósseis vegetais ao estado do Tocantins, outrora, destinados ao tráfico de fósseis, situação superada com ação civil pública, constitui importante elemento da história natural do Estado e região norte, possibilitando, por meio da UFNT, instituição de ensino superior recém-criada, ampliar o leque de pesquisa paleontológica, bem como proporcionar aos estudantes do curso de Biologia, procedentes de vários estados como, Piauí, Pará, Maranhão, melhor conhecimento da vida pretérita e assim como a possibilidade de elucidar aspectos evolutivos e temporais”, pontua Tatiane Marinho Vieira Tavares, a bióloga e representante da UFNT.

“Os projetos de extensão e feiras de ciências, ações constantes no curso de Biologia, permitem a ampla divulgação, no ensino básico e sociedade civil, caracteriza, portanto, uma vitória à paleontologia brasileira”, conclui Tatiane Tavares.

De acordo com a Comitiva do Tocantins, o Monaf tem importância científico-cultural imensurável, mas uma estimativa aponta que grande quantidade (cerca de 100 t) de fósseis provenientes da UC foi objeto de atividade de venda e exposição à venda, inclusive via internet, durante mais de uma década (1997 a 2008). 

Após investigações concluídas pela Polícia Federal, foram ajuizadas uma Ação Civil Pública (Lei nº 7.347/1985) e uma Ação Penal, ambas, propostas pelo Ministério Público Federal, perante a 1ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Tocantins. E tiveram papel importante neste processo, a Curadoria de Paleontologia do Museu de Ciências da Terra/DNPM, bem como da Sociedade Brasileira de Paleontologia.

Comitiva Tocantins

Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) – Hermísio Alecrim, biólogo, Inspetor de Recursos Naturais, gestor do Monaf (Monumento Natural das Árvores Fossilizadas do Estado do Tocantins). 

Universidade Federal do Tocantins (UFT) – Etiene Fabbrin Pires Oliveira, professora doutora, paleontóloga, campus de Porto Nacional, Laboratório de Paleobiologia, Coleção de Paleontologia da UFT – CPALEOUFT.

Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) – Tatiane Marinho Vieira Tavares, campus de Araguaína, Laboratório de Invertebrados e Paleontologia (LIP) e o de Coleções Biológicas e Paleontológicas (LCBP).

Monaf

O Monaf está situado na Amazônia Legal, no distrito de Bielândia, município de Filadélfia, norte do estado do Tocantins. Foi criado pela Medida Provisória nº 370/2000 (Tocantins, 2000), e convertida na Lei Estadual nº 1.179/2000, inserido na categoria de UC de proteção integral, com a finalidade de proteger e conservar as diversidades biológicas e paleontológicas existentes no local.

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