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Ação da PM e Polícia Civil recupera moto roubada, apreende armas e munições e manda membros do CV pra cadeia em Guaraí
Durante ação criminosa, os suspeitos de posse de armas de fogo e com o rosto encoberto com máscaras tomaram a motocicleta da vítima. Durante a ação policial, a vítima confessou ao delegado que pagava a menor para manter relações sexuais com ele, porém, o homem não acabou preso.
01/12/2022 11h14 Atualizada há 3 anos
Por: Nathaly Guimarães Fonte: Redação | Agência Tocantins
Suspeitos presos durante ação conjunta da Polícia Civil e Militar em Guaraí – Foto: Reprodução / Agência Tocantins

Na manhã desta quarta-feira, 30, uma ação desencadeada pelas Polícias Civil e Militar de Guaraí, na região Centro-Norte do estado, resultou na prisão de três homens e na apreensão de armas de fogo e munições, além de recuperar uma motocicleta que havia sido roubada pelos suspeitos na noite desta terça-feira, 29.

De acordo com informações apuradas com exclusividade pela reportagem da Agência Tocantins, os suspeitos com a ajuda de uma adolescente de 14 anos de idade abordaram a vítima, que é um comerciante da cidade, no momento que ele estava com a menor com a qual estava mantendo relação sexual mediante pagamento (prostituição).

Durante ação criminosa, os suspeitos de posse de armas de fogo e com o rosto encoberto com máscaras tomaram a motocicleta da vítima mediante grave ameaça.

Ainda segundo apurou a reportagem, após cometer o crime, os suspeitos deixaram o local levando o veículo da vítima, que em seguida, conseguiu entrar em contato com a Polícia Militar, que deu inícios às diligências com o intuito de localizar a motocicleta e com isso prender os autores.

Já na manhã desta quarta-feira, 30, a vítima que não teve a identidade divulgada, foi até a delegacia da Polícia Civil e registrou o Boletim de Ocorrência e apontou a menor como sendo a mentora do crime.

À Polícia Civil, o homem confessou que pagava a menor de idade para manter relações sexuais com ele, porém, não imaginava que ela fosse capaz de arquitetar toda ação criminosa contra sua pessoa.

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Após levantamento realizado pela Agência Local de inteligência da Polícia Militar – ALI do 7º BPM, foi possível identificar os autores e a localização do local no qual estavam escondidos.

Com apoio da Polícia Civil, os três criminosos que são membros de uma organização criminosa de renome nacional, foram localizados e presos quando estavam em uma residência localizada no setor Guarazinho, com eles, foram apreendidos oito armas de fogo, sendo elas, uma espingarda calibre 12, uma submetralhadora automática, revólveres e pistolas, além de drogas, munições, cartões bancários, documentos pessoais e máscaras utilizadas para cometer crimes.

Para a Polícia Civil, os três criminosos presos são suspeitos também de terem cometido outros crimes na cidade, inclusive homicídios.

Após serem localizados e presos, os três indivíduos que não tiveram os nomes divulgados foram levados para a delegacia da Polícia Civil, onde após serem ouvidos pela autoridade policial, foram autuados em flagrante pelos crimes de associação criminosa, associação para o tráfico, roubo, posse ilegal de arma de fogo de uso restrito, posse ilegal de armas de fogo de uso permitido, posse ilegal de munições e tráfico de drogas. 

Na delegacia após a realização dos procedimentos cabíveis em lei, todos os suspeitos foram colocados à disposição do poder judiciário na carceragem da Unidade Penal de Guaraí – UPG.

Objetos apreendidos durante a ação. - Foto: Ascom 7º BPM

 

Crime em curso não responsabilizado

A vítima confessou à autoridade policial que pagava a menor para que ela mantivesse relação sexual com o mesmo e que havia desconfiado que ela tivesse combinado com os criminosos para que eles roubassem sua motocicleta. Mesmo diante da confissão que pagava a menor de 14 anos para praticar relações sexuais, o homem que até então era vítima, deixou a delegacia pela porta da frente e segundo o delegado responsável pelo caso, no futuro ele poderá responder pelos crimes de favorecimento a prostituição, corrupção de menores e pedofilia.

Em entrevista à Agência Tocantins, o delegado Joelberth Nunes de Carvalho, titular da 47ª Delegacia da Polícia Civil de Guaraí, afirmou que caso o poder judiciário solicite uma requisição, ou o delegado responsável pela DEAMV achar necessário verificar essa situação e instaurar um inquérito para apurar o crime de exploração sexual e corrupção de menor com favorecimento à prostituição o autor poderá ser responsabilizado pelos crimes acima descrito.

Veja o que diz a lei no ECA

É crime de favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável. Praticar atos libidinosos e conjunção carnal com a vítima menor de 18 anos de idade mediante pagamento. Crime descrito pelo artigo 218-B, caput, e § 2º, inciso II, do Código Penal, com pena de até 8 anos de reclusão.

Entendimento do STJ

Segundo o STJ, para a caracterização do crime de favorecimento de prostituição ou exploração sexual de adolescente, não é necessária a figura do intermediário ou aliciador. Comete o delito quem aborda diretamente a vítima para a satisfação da própria lascívia.

A norma pune quem submete, induz ou atrai à prostituição ou outra forma de exploração sexual alguém menor de 18 anos — em teoria, um terceiro aliciador.

O inciso I do parágrafo 2º diz que incorre nas mesmas penas quem pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 e maior de 14 anos na situação descrita no caput do artigo.

Consequentemente, o explorador sexual não é apenas quem trabalha como intermediário da mercancia dos adolescentes, lucrando, mas também quem, se valendo do poderio financeiro, atrai e induz as vítimas à prostituição.

 

Reportagem: Alessandro Ferreira / Agência Tocantins