Meio Ambiente AÇÃO DO MPTO
Com rios em situação crítica, MPTO requer a suspensão de outorgas de captação de água da bacia do Rio Formoso durante a estiagem
A medida drástica, segundo a instituição, é necessária diante da grave crise hídrica que atinge a região, agravada pela falta de chuvas e pela gestão inadequada dos recursos hídricos
30/08/2024 18h25
Por: Allessandro Ferreira Fonte: Redação | Agência Tocantins
Divulgação / Assessoria

O Ministério Público do Tocantins, por meio da Promotoria de Justiça Regional Ambiental do Araguaia, requereu, em ação judicial em andamento, a suspensão de todas as outorgas de captação de água na bacia do Rio Formoso entre os meses de julho e outubro, pelo prazo de cinco anos, como forma de garantir a recuperação dos recursos hídricos na região. A medida drástica, segundo a instituição, é necessária diante da grave crise hídrica que atinge a região, agravada pela falta de chuvas e pela gestão inadequada dos recursos hídricos.

Embora os rios daquela bacia estejam quase secos, o sistema atual ainda permite a captação de água por fazendas da região. Somente nos meses de julho e agosto de 2024, o volume total de água autorizado para captação na bacia do Rio Formoso soma 136.033.727,2 m³. São 136 bilhões de litros de água que estão autorizados a serem bombeados do rio para irrigação de propriedades particulares. Os dados são da Naturatins.

Para se ter uma ideia da magnitude desse volume, essa quantidade de água poderia abastecer a cidade de Palmas, que possui uma população estimada em 313.101 habitantes (IBGE), por aproximadamente sete anos e 10 meses, ou seja, praticamente oito anos, se considerarmos um consumo médio de 150 litros por habitante por dia, valor de referência nacional (Fonte: Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento - SNIS).

O Ministério Público também requer que o Naturatins seja obrigado a implementar medidas eficazes para a gestão da água na bacia, com base em dados técnicos e científicos, e que a fiscalização seja intensificada para coibir irregularidades.

A foto que ilustra essa reportagem foi extraída de vídeo, feito em 9 de agosto, que mostra o Rio Formoso praticamente seco (veja mais abaixo).

Crítica ao sistema semafórico

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Na manifestação ministerial, há crítica dura ao sistema de revezamento de captação de água, baseado no semáforo, utilizado pelos órgãos de gestão. "Não existe outra forma de tutelar o meio ambiente no período restritivo senão a suspensão definitiva de todas as outorgas a partir do mês de agosto, em definitivo", afirma o promotor.

O argumento central do Ministério Público é que o sistema semafórico se mostra impreciso e ineficaz para garantir a vazão ecológica dos rios, principalmente durante a estiagem. "Em todos os anos, a bacia hidrográfica apresentou-se crítica no período entre julho e outubro, sem exceção, atestando a incapacidade do modelo atual de tutelar o meio ambiente, com meros revezamentos ou adoção de planos ou regras semafóricas", destaca o membro titular da Promotoria Regional Ambiental do Araguaia na ação.

A gravidade da situação é evidenciada pela seca histórica que atinge a região, com os rios da bacia praticamente secos. Mesmo diante deste cenário, a captação de água foi autorizada, com base em um sistema que, para o Ministério Público, se mostra falho e incapaz de proteger o meio ambiente.

Em julho, o MPTO ajuizou ação solicitando a suspensão imediata das licenças para captação de água e denunciando a falha na regra de como as permissões são dadas. O processo está em andamento na Justiça.

Vídeo mostra rio quase seco

Em vídeo gravado dia 9 de agosto de 2024, enviado ao Ministério Público, um morador registra a situação do Rio Formoso quase seco, com diversos trechos sendo possível atravessá-los a pé.

 
 
 
 
 
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Veja o que ele diz no vídeo, “Não tem água, gente. Queria chamar atenção dos órgãos fiscalizadores para verificar a situação do rio. Não se vê uma viatura de fiscalização. Aqui tem duas bombas que não são desligadas, tirando a mínima água que tem aqui. Uma coisa absurda a quantidade de água que essas bombas tiram dos rios. À noite é possível ouvir uma grande quantidade de peixes batendo, sem ter pra onde ir. Todo ano isso, é desse jeito, e esse ano está pior. Esse negócio de marcar data para ligar bomba? Não tem água, gente. Cadê o Naturatins para fiscalizar isso aqui?"