
A Polícia Civil do Tocantins, por intermédio da 16ª Delegacia de Polícia de São Miguel do Tocantins, apresentou o balanço consolidado da Operação Rio Escarlate, deflagrada com o objetivo de esclarecer crimes de extrema gravidade praticados no contexto de disputas entre facções criminosas.
As investigações, formalizadas no Inquérito Policial nº 118/2026, confirmaram a ocorrência de dois homicídios duplamente qualificados, além de dois crimes de sequestro e cárcere privado contra vítimas que sobreviveram às ações criminosas.
Primeira fase
Na etapa inicial da operação, a Polícia Civil efetuou a captura de quatro envolvidos, sendo três adultos presos preventivamente e um adolescente de 17 anos submetido à internação provisória por decisão judicial.
Durante a ação, também foram apreendidas duas motocicletas utilizadas na logística dos crimes: uma Honda Pop 110i, de cor branca, e uma Honda CG 150 Fan, de cor preta. Os veículos teriam sido usados no transporte das vítimas até o local das execuções.
Segunda fase
A segunda etapa da operação resultou na prisão de mais três investigados, ampliando a desarticulação do grupo criminoso. Entre os detidos estão um homem de 21 anos, conhecido pelo apelido de “Lapadinha”, que se encontrava foragido; uma mulher de 26 anos, integrante da facção Comando Vermelho, presa em flagrante; e um homem de 27 anos, localizado durante diligências operacionais.
A ação contou com apoio estratégico do serviço de inteligência da Polícia Militar do Tocantins (PM/TO) e da Polícia Civil de Tucuruí, no Pará, o que possibilitou a localização e captura dos alvos remanescentes.
Confissões e materialidade
Durante os interrogatórios, os investigados confessaram formalmente a participação em duas execuções, caracterizadas como homicídios duplamente qualificados.
O corpo de uma das vítimas, de 20 anos, foi localizado com sinais evidentes de execução. A segunda vítima, identificada como Jeferson Nascimento da Silva, de 23 anos, segue desaparecida e sendo procurada pelas autoridades.
As investigações também confirmaram a prática de sequestro e cárcere privado contra duas jovens, uma delas menor de idade e outra gestante, que foram mantidas sob ameaça com armas de fogo e submetidas a intensa violência psicológica durante horas.
Continuidade das investigações
As buscas subaquáticas pelo corpo da vítima desaparecida continuam, e o inquérito segue em andamento sob a jurisdição do Juízo da Comarca de Itaguatins. A Polícia Civil não descarta novas prisões para a completa desarticulação da célula criminosa.
O delegado Antônio Bandeira, titular da 16ª Delegacia de Polícia e responsável pelo caso, destacou a importância das prisões para restabelecer a segurança na região. “Os crimes investigados são de extrema gravidade e ocorreram em razão de disputas entre facções por território. Mobilizamos todos os esforços para interromper esse ciclo de violência, identificar os envolvidos e garantir que respondam perante a Justiça”, afirmou.
Reportagem: Patrícia Alves | Agência Tocantins