
O Ministério Público do Tocantins (MPTO), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta terça-feira uma operação para desarticular um dos principais núcleos de atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Estado. A ação tem como alvo integrantes responsáveis por impor regras internas da facção, aplicar punições e manter o controle territorial em diferentes municípios tocantinenses.
Ao todo, foram cumpridos 13 mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão, além do sequestro de ativos financeiros estimados em cerca de R$ 1 milhão. A medida tem como objetivo interromper o fluxo financeiro utilizado pela organização criminosa. As diligências ocorreram simultaneamente nos municípios de Araguaína, Gurupi, Guaraí, Paraíso do Tocantins e Porto Nacional, com autorizações expedidas pela Justiça após representação do Gaeco.
A operação é resultado de desdobramentos da Operação Regresso II, que já havia identificado a presença de integrantes da facção no Tocantins. A nova fase teve origem na análise de aparelhos celulares apreendidos durante a ação anterior. O material revelou uma estrutura criminosa mais ampla e organizada do que a inicialmente constatada.
“Tribunal do Crime” e estrutura da facção
As investigações apontam a existência de um núcleo responsável pelo chamado “Tribunal do Crime”, mecanismo utilizado pela organização criminosa para julgar membros, impor normas internas e aplicar punições. Entre as sanções identificadas estão espancamentos, torturas e execuções.
De acordo com o Gaeco, os investigados exerciam a função conhecida como “disciplina” dentro da facção, sendo responsáveis por fiscalizar o cumprimento das regras, cobrar condutas dos integrantes e assegurar o domínio territorial em diversas regiões do Estado.
Além da atuação violenta, a investigação identificou um esquema de lavagem de dinheiro destinado a ocultar recursos provenientes de atividades ilícitas. Os valores eram movimentados por meio de transferências eletrônicas, principalmente via PIX, para contas utilizadas na concentração e circulação de recursos da organização.
Segundo o Ministério Público, os elementos reunidos indicam a existência de uma organização criminosa estruturada, com divisão de funções, atuação contínua e mecanismos próprios de controle interno, além da prática de crimes como tráfico de drogas, lavagem de capitais e violência organizada.
Forças de segurança mobilizadas
A operação contou com a atuação integrada de diversas forças de segurança pública. Participaram das ações equipes da Polícia Militar, incluindo o Grupo de Operações com Cães (GOC) e efetivos do 5º e 8º Batalhão; da Polícia Penal, por meio da Superintendência, Diretoria de Operações e serviço reservado; e da Polícia Civil, com apoio da DRACCO, GOTE e delegacias regionais dos municípios envolvidos.
As investigações seguem em andamento e novas fases da operação não estão descartadas.
Reportagem: Elaine Gonçalves / Agência Tocantins