
O Ministério Público Estadual (MPE) investiga o mandato do ex-prefeito de Divinópolis do Tocantins, Padre Florisvane da Glória (PSD), por supostas irregularidades na execução de recursos públicos. A gestão do social democrata é alvo de investigação, devido às suspeitas de que o ex-gestor teria desviado dinheiro público.
As inspeções do Ministério Público começaram em 2020, quando o ex–Chefe do Poder Executivo ainda estava à frente da prefeitura de Divinópolis do Tocantins. Em março de 2021, a 4ª promotoria de Paraíso do Tocantins, instaurou inquérito através da Portaria de Instauração 0678/2021, com validade de um ano, podendo ser prorrogado por igual período. O documento assinado pelo promotor Rodrigo Vargas, a que a nossa reportagem teve acesso, faz menção direta de possíveis fraudes em licitações.
No mesmo mês da instauração do procedimento investigatório, uma equipe do Ministério Público, esteve na prefeitura de Divinópolis para averiguar as irregularidades. “Chegaram pedindo informações”, disse uma fonte da atual gestão, ouvida pela nossa reportagem.
Vale ressaltar que a administração do atual prefeito, Flavão Rodrigues (MDB), não é alvo de investigações. O atual alcaide disse a nossa reportagem que todas as medidas do atual governo, têm sido baseadas na legislação vigente.
Segundo informações obtidas pela nossa reportagem, o MP busca a colaboração de outros órgãos de fiscalização a exemplo do Tribunal de Contas do Estado (TCE), para robustecer o procedimento com documentos, relatórios e outros mecanismos de provas, que possam identificar a suposta dilapidação do patrimônio público, pelo ex – inquilino da municipalidade de Divinópolis do Tocantins, uma das maiores cidades do Vale do Araguaia.
Outro procedimento averiguado pelo Ministério Público Estadual é sobre o escândalo dos funcionários “fantasmas”. Em outubro de 2020, as irregularidades vieram à tona e o MPE entrou no caso. Florisvane é suspeito de lotar nos quadros do Governo Municipal supostos apadrinhados políticos, que recebiam o erário público, sem trabalhar para a prefeitura de Divinópolis. O órgão de fiscalização está atuando para apurar as a suposta irregularidade que ficou conhecida como “Escândalo dos Gaspazinhos”. Na época, o caso teve grande repercussão no município.
Ainda não há previsão de quando os investigados irão ser intimados pelo MPTO, para prestar depoimento.
Histórico
Florisvane Mauricio da Gloria, natural de Lizarda – TO, era padre da igreja Católica e morava a cerca de 05 anos em Divinópolis do Tocantins, quando nas eleições de 2012 foi convidado pelo grupo político do então prefeito Edmar Bozó (MDB), para ser o candidato do grupo governista nas eleições municipais no embate com o ex–prefeito Rodolfo Botelho (PSDB). Maurício não se apresentava como pré–candidato até então, no entanto os governistas indicaram Florisvane, na época filiado ao PRP no intuito de vencer as eleições, devido divergências políticas e pessoais com Botelho, quando o tucano esteve a frente da prefeitura por oito anos. O homem de Lizarda governou Divinópolis entre 2013 a 2020.
O ex–pároco no exercício do mandato se envolveu em inúmeras polêmicas devido à falta de conhecimento técnico de gestão pública e perfil ditatorial, com cometimentos de supostos crimes de responsabilidade a exemplo de ataques a vereadores, agentes da Segurança Pública, conselheiros tutelares e profissionais da imprensa. Florisvane tentou diversas vezes impedir a produção e publicação de matérias jornalísticas violando o artigo 220 da Constituição Federal, cometendo perseguição, assedio moral e até ameaças de morte contra profissionais da comunicação, fato que está sendo analisado juridicamente para ser denunciado à Superintendência da Polícia Federal (SPF) em Palmas - TO.
O ex–mandatário também é alvo de outras suspeitas de corrupção, com conhecimento do Ministério Público. O muro do cemitério Abdias Teles, construído no valor de cerca de 73 mil reais é tido como supostamente superfaturado pela gestão, ora investigada.
Na obra de reforma da sede da Secretaria Municipal de Educação, foi construída uma calçada que de acordo com o Portal da Transparência foi orçado em pouco mais de 16 mil reais. A obra chamou a atenção, segundo a denúncia, de que teria dimensões muito reduzidas para o valor que foi gasto. Outra obra que é alvo de suposta irregularidades é a reforma do Estádio Municipal Cabo Santos. Os reparos que se limitaram a adubação no gramado, pintura e reforço nas traves e nas arquibancadas, e encanação ao vestiário do palco do futebol, também teriam custado à cifra de pouco mais de 16 mil reais.
Uma fonte ouvida pela nossa reportagem informou sobre os possíveis valores, que teria sido surrupiado pelo o ex–dirigente, porém não iremos revelar para não atrapalhar as investigações dos órgãos de fiscalização que estão em andamento. São vultosas quantidades do erário público, que teria sido ultrajada dos cofres públicos. Se confirmado as suspeitas, o “Florisvanegate”, como o caso começa a ser chamado, poderá ser o maior caso de escândalo de corrupção do Vale do Araguaia.
Outra suspeita é de que o político era chefe de uma suposta Organização Criminosa. O grupo teria enriquecido ilicitamente com as irregularidades perpetradas contra o erário público. Outra fonte que repassou informações à nossa reportagem dá conta de que o ex–padre estaria envolvido em cerca de 10 casos de improbidade administrativa (lei 8. 429/92). “Ele só queria o patrimônio público, ficava era para Lizarda”, desabafou um ex – vereador que não será identificado.
Se condenado o ex–prefeito pode ter que devolver os recursos aos cofres públicos, ter os bens bloqueados, multa, perda do que foi obtido ilicitamente, suspensão dos direitos políticos (de 8 a 10 anos, conforme a hipótese no ato do julgamento) e proibição de contratar com o poder público e ser condenado a mais de 100 anos de prisão. Se as irregularidades não ficar comprovada, o procedimento deverá ser aquivado.
O que diz o ex - dirigente
Padre Florisvane (PSD) nunca comentou publicamente sobre as suspeitas de envolvimento em escândalos. Porém no início do último ano da gestão, após o então vereador Joseni Bodão (PSDB), afirmar durante Sessão Ordinária que o denunciaria ao Ministério Público, o então gestor disse em entrevista a nossa reportagem que estaria à disposição do órgão de fiscalização.