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Operação da Polícia Civil prende dois policiais militares suspeitos de envolvimento de jovem desaparecido há quatro meses em Paraíso do Tocantins

A prisão foi determinada pelo Poder Judiciário do Estado do Tocantins, em razão dos crimes de Homicídio Qualificado, Sequestro e Ocultação de Cadáver.

16/11/2023 às 08h40 Atualizada em 21/11/2023 às 14h13
Por: Redação Fonte: Vania Machado/Governo do Tocantins
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Os militares foram conduzidos para a sede da DRACCO em Palmas - Foto: Alessandro Ferreira / Agência Tocantins
Os militares foram conduzidos para a sede da DRACCO em Palmas - Foto: Alessandro Ferreira / Agência Tocantins

A Polícia Civil do Tocantins deflagrou na manhã desta quinta-feira, 16, a Operação Missing dando cumprimento a mandados de prisão preventiva e busca e apreensão em desfavor de dois policiais militares, investigados por envolvimento no caso do desaparecido FILIPE COELHO SIQUEIRA, o qual foi visto pela última vez em 1º de agosto deste ano. As prisões e buscas foram realizadas nas residências dos suspeitos nas cidades de Paraíso e Palmas.

A Operação Missing foi deflagrada pela Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO), 6ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DEIC - Paraíso), com apoio do Grupo de Operações Táticas Especiais (GOTE) e da 5ª Delegacia Regional. Além disso, acompanharam e participaram das diligências a Corregedoria da Polícia Militar e o comando do 8º Batalhão da Polícia Militar de Paraíso, onde os policiais investigados estão lotados.

Investigação

Após tomar conhecimento do desaparecimento de Filipe, a Polícia Civil empreendeu inúmeros esforços de forma exaustiva a fim de localizar a vítima, ou mesmo os seus restos mortais, empregando todos os recursos à disposição, inclusive utilizando drones com câmeras termais nos prováveis lugares onde Filipe poderia ter sido descartado. Até o momento, Filipe não foi localizado.

A equipe da 6ª DEIC promoveu diligências buscando verificar a procedência das informações, colhendo elementos dando conta de que Filipe, na verdade havia sido colocado em um carro por dois homens, tomando destino ignorado. De posse destes dados, a Polícia Civil passou a tratar o caso como um fato criminoso. 

Durante as primeiras apurações, constatou-se que por volta das 11 horas da manhã, do dia 1º de agosto, Filipe foi abordado por dois homens na Av. Campinas, no setor Jardim Paulista, tendo sido submetido a uma espécie de revista pessoal, e em seguida conduzido para o interior de um Volkswagen Polo de cor cinza. Apurou-se que os dois homens que haviam colocado Filipe no veículo eram policiais militares, inclusive, um deles residia em frente ao local onde Filipe foi revistado. Identificou-se ainda que o carro usado na prática delitiva era de propriedade particular do outro militar envolvido. 

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Com Filipe no carro, os policiais inicialmente seguiram para a zona rural da cidade de Paraíso, tendo retornado à zona urbana cerca de 30 minutos depois, sendo que às 14h36, o veículo retorna para o local inicial (onde abordaram a vítima). Descem do carro apenas os dois policiais, sem Filipe. 

Prosseguindo com os trabalhos de investigação, através de medidas investigativas sigilosas, confirmou-se o envolvimento dos policiais no caso, que praticaram os crimes por iniciativa própria, não havendo relação das suas condutas com o trabalho desenvolvido pela Polícia Militar. Os policiais são do último concurso.

Outros crimes

Ao longo do minucioso trabalho executado pela Polícia Civil, descobriu-se que os investigados estariam envolvidos em outras condutas criminosas, utilizando-se da condição de policial como justificativa, mas incompatíveis com os preceitos de atuação da Polícia Militar.

Foi apurado que ofereciam dinheiro a usuários de droga viciados em crack para que adquirissem drogas em “bocas-de-fumo”, para em seguida, à paisana e utilizando carro particular, executarem buscas clandestinas nestes locais do tráfico, onde apreendiam drogas e valores, que por vezes não eram apresentadas na delegacia, e sequer efetuavam a prisão do traficante. Ainda, foram constatadas evidências apontando envolvimento dos investigados em casos de tortura. 

Portanto, condutas completamente contrárias ao Estado Democrático de Direito, que serão devidamente apuradas através do regular processo penal, em procedimento próprio.

Da Prisão

A prisão foi determinada pelo Poder Judiciário do Estado do Tocantins, em razão dos crimes de Homicídio Qualificado, Sequestro e Ocultação de Cadáver. Após os procedimentos realizados na sede da DRACCO e 6ªDEIC, os policiais serão encaminhados para cumprirem a determinação judicial nas unidades militares da PM.


Secretaria da Segurança Pública do Tocantins

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