
A Operação Canguçu, considerada uma das maiores ofensivas policiais contra o crime organizado já realizadas na região Norte do Brasil, pode ultrapassar as fronteiras da segurança pública e ganhar espaço nas telas do cinema. A história da ação despertou o interesse do analista de segurança e roteirista Rodrigo Pimentel, conhecido por sua participação na criação do roteiro do filme Tropa de Elite.
A informação foi confirmada durante a solenidade de passagem de comando do 1º Batalhão da Polícia Militar, em Palmas, quando o comandante-geral da PM do Tocantins, coronel Márcio Antônio Barbosa, mencionou o possível projeto audiovisual. Segundo ele, o tema foi debatido anteriormente em um encontro voltado à área de segurança pública, realizado no Rio de Janeiro.
Na ocasião, Barbosa apresentou ao roteirista os detalhes da operação, que ganhou repercussão nacional pela complexidade, duração e resultados obtidos. O relato, segundo o comandante, despertou entusiasmo imediato por parte de Pimentel, que demonstrou interesse em conhecer o Tocantins para aprofundar a narrativa.
“Ele manifestou a vontade de vir ao estado para transformar a Operação Canguçu em um projeto cinematográfico”, afirmou o coronel, ao destacar a relevância da história vivida pelas forças de segurança locais.
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Para Barbosa, o interesse do roteirista reforça a importância da ação policial e o reconhecimento alcançado. “Foi uma operação que envolveu muitos profissionais e projetou o nome do Tocantins em nível nacional”, disse.
Deflagrada em maio de 2023, a Operação Canguçu teve como alvo uma quadrilha ligada ao chamado “Novo Cangaço”, grupo especializado em ataques a instituições financeiras, uso de explosivos e armamento pesado.
Comandada pelo Coronel Francinaldo Bó, a Operação Canguçu marcou o enfrentamento à quadrilha responsável por uma tentativa de assalto a uma transportadora de valores no município de Confresa, no estado de Mato Grosso. Após a tentativa de roubo frustrada, os criminosos fugiram para o Tocantins, desencadeando uma ação integrada que mobilizou cerca de 350 militares de cinco estados, além de policiais civis e federais. Em 39 dias de incursões, confrontos e rastreamentos em área de mata, a operação resultou na neutralização de 18 criminosos.
Após 39 dias de buscas em áreas de mata e confrontos, a operação resultou na morte de integrantes do grupo criminoso durante trocas de tiros, além de prisões e apreensão de armas de grosso calibre. A atuação integrada das forças policiais foi reconhecida em Brasília, com a concessão de uma Moção de Aplausos pela Câmara dos Deputados.
Caso a iniciativa avance, a Operação Canguçu poderá se tornar mais um retrato cinematográfico de ações reais de combate ao crime no país, levando ao público uma história marcada por estratégia, risco e cooperação entre forças de segurança.
Reportagem: Allessandro Ferreira / Agência Tocantins