
A Polícia Civil do Estado do Tocantins concluiu o inquérito que investigou um esquema de desvio de recursos públicos em convênios esportivos firmados em Palmas. O relatório final aponta prejuízo de R$ 650.869,04 aos cofres públicos e resultou no indiciamento de dez pessoas.
A investigação, conduzida pela Divisão Especializada na Repressão à Corrupção (DECOR) e coordenada pelo delegado Guilherme Rocha, integra a Operação Jogo Limpo e apurou fatos ocorridos em 2014. Segundo a Polícia Civil, o grupo teria atuado de forma organizada, estruturando convênios que, na prática, não eram executados.
Os recursos eram destinados a projetos esportivos e recreativos voltados a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, inclusive com ações de prevenção ao uso de drogas. De acordo com o inquérito, porém, as iniciativas nunca saíram do papel.
Dinheiro sacado no mesmo dia
Conforme o relatório, os valores eram integralmente sacados no mesmo dia em que eram depositados. A investigação aponta que não houve execução real dos projetos previstos.
O esquema descrito pela Polícia Civil inclui:
• Comissão de análise de projetos considerada fictícia, criada para dar aparência de legalidade;
• Tramitação acelerada dos processos, com liberação rápida de valores elevados;
• Empresas de fachada para emissão de notas fiscais ideologicamente falsas;
• Saques integrais e distribuição dos recursos entre agentes públicos, operadores financeiros e terceiros.
Entre os indiciados estão ex-gestores da fundação pública responsável pelos repasses, dirigentes da entidade beneficiada e operadores financeiros. Um ex-agente político é apontado como possível beneficiário direto dos valores desviados.
Os dez investigados foram indiciados, em tese, por peculato, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, fraude em licitações e associação criminosa.
Transparência em xeque
Apesar da conclusão do inquérito e da formalização dos indiciamentos, os nomes dos investigados não foram divulgados oficialmente.
A reportagem da Agência Tocantins solicitou à Diretoria de Comunicação da Secretaria de Segurança Pública os nomes dos indiciados, com base na Lei de Acesso à Informação. A Dicom da SSPTO negou o pedido, alegando a Lei de Abuso de Autoridade.
Para a reportagem, a negativa compromete a transparência do caso. Diante da conclusão formal do inquérito e da gravidade das acusações — que envolvem recursos destinados a crianças e adolescentes — a ausência de divulgação dos nomes impede que a sociedade saiba quem são os agentes públicos e particulares apontados como responsáveis pelo suposto esquema.
O caso agora será encaminhado ao Ministério Público, que decidirá sobre eventual oferecimento de denúncia à Justiça. Enquanto isso, os nomes permanecem sob sigilo.
Reportagem: Patrícia Alves / Agência Tocantins