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“Não podemos perder recurso”, diz Wanderlei ao cobrar votação e destravar R$ 56 milhões do Fundo Amazônia

Governador pressiona Assembleia, critica paralisação do projeto e afirma que decisão política pode custar investimentos estratégicos ao Tocantins

Allessandro Ferreira
Por: Allessandro Ferreira Fonte: Redação | Agência Tocantins
16/04/2026 às 21h13 Atualizada em 16/04/2026 às 21h24
“Não podemos perder recurso”, diz Wanderlei ao cobrar votação e destravar R$ 56 milhões do Fundo Amazônia
Governador Wanderlei Barbosa e secretários durante à coletiva imprensa – Foto: Allessandro Ferreira / Agência Tocantins

O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), adotou um tom firme ao cobrar celeridade da Assembleia Legislativa (Aleto) na tramitação do projeto que autoriza o Estado a receber R$ 56 milhões do Fundo Amazônia, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Com prazo para formalização até o próximo sábado, 18 de abril, o chefe do Executivo alertou para o risco concreto de perda dos recursos e fez um apelo direto aos parlamentares.

“Não podemos perder recurso. Política passa, mas o Estado fica”, afirmou, durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (16).

A declaração sintetiza o posicionamento do governador diante do impasse que mantém a proposta travada nas comissões da Casa. Apesar de ter avançado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o projeto não foi analisado pela Comissão de Finanças, etapa necessária para que siga ao plenário.

Diante da paralisação, Wanderlei confirmou que o governo solicitará ao BNDES a prorrogação do prazo por 60 dias, numa tentativa de evitar a perda definitiva dos valores.

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Cobrança direta e crítica à falta de avanço

Sem citar nominalmente parlamentares durante a fala principal, o governador deixou claro o incômodo com a falta de deliberação. Nos bastidores, a resistência dos deputados Olyntho Neto e Jorge Frederico é apontada como fator central para o travamento da matéria.

Wanderlei classificou como “irracional” a ausência de votação de um projeto que, segundo ele, beneficia diretamente a economia e a população.

“Deixar de votar uma matéria que venha favorecer o setor de produção do estado, que gera emprego, que gera oportunidade, não é racional”, declarou.

O governador também fez questão de reforçar que os recursos não representam qualquer tipo de endividamento para o Estado, tratando-se de repasse não reembolsável.

Defesa enfática do projeto

Ao longo da coletiva, Wanderlei Barbosa reiterou a importância estratégica do investimento, destacando que os recursos serão aplicados na estruturação da política ambiental e no fortalecimento da produção rural.

“É importantíssima para o Estado”, afirmou.

Entre as ações previstas estão o avanço no Cadastro Ambiental Rural (CAR), o fortalecimento do Naturatins, a ampliação da assistência técnica e melhorias na gestão ambiental. Segundo o governador, essas medidas impactam diretamente a regularização fundiária, o acesso ao crédito e o desenvolvimento sustentável.

Vetos e discurso de responsabilidade fiscal

O posicionamento firme do governador também se estendeu à defesa dos vetos aplicados a mudanças feitas pela Aleto em medidas provisórias, especialmente no caso das indenizações a servidores e do Programa de Fortalecimento da Educação (Profe).

Sobre o aumento da indenização de R$ 1 mil para R$ 1,5 mil, aprovado por emenda parlamentar, Wanderlei foi categórico ao justificar o veto:

“Nós chegamos nesse ponto que era o ponto que o governo poderia pagar para os servidores.”

Ele também questionou a legalidade da alteração. “A legislação não permite que deputado faça emendas que venham aumentar despesas para o governo”, afirmou.

No caso do Profe, o governador reforçou que a ampliação de beneficiários sem previsão orçamentária compromete a segurança jurídica dos pagamentos.

“Eu quero que o servidor receba o máximo possível, mas dentro do que o orçamento permite”, disse.

Tentativa de equilíbrio institucional

Apesar do tom crítico, Wanderlei buscou amenizar o cenário de tensão ao comentar a relação com o Legislativo.

“A gente não tem uma briga específica com a assembleia”, declarou.

Ainda assim, o discurso do governador evidencia uma cobrança direta por responsabilidade e agilidade dos parlamentares diante de matérias que, segundo ele, têm impacto imediato no desenvolvimento do Estado.

Com o prazo se esgotando, o Executivo tenta ganhar tempo junto ao BNDES, mas deixa claro que a solução definitiva depende da Assembleia.

Mais do que um alerta, a fala de Wanderlei Barbosa reforça o peso político da decisão: entre o impasse e a liberação de recursos, o Estado pode perder uma oportunidade sem custo — e com alto potencial de impacto econômico e ambiental.

 

 

Reportagem: Allessandro Ferreira / Agência Tocantins

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