
O Governo do Tocantins intensificou as ações de prevenção a incêndios florestais por meio do Manejo Integrado do Fogo (MIF) em Unidades de Conservação (UCs) do estado. A estratégia, coordenada pelo Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), utiliza queimas prescritas como forma de reduzir o material combustível seco e minimizar os riscos durante o período de estiagem.
Na quarta-feira (27), brigadistas, em parceria com produtores rurais, realizaram uma queima controlada em um trecho de aproximadamente 10 quilômetros às margens da rodovia TO-455, no entorno da Área de Proteção Ambiental (APA) Lago de Palmas, localizada em Luzimangues, distrito de Porto Nacional. A ação tem como foco evitar que incêndios iniciados às margens das rodovias se espalhem para áreas maiores.
As atividades fazem parte do Plano Integrado de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais 2026, lançado pelo governador Wanderlei Barbosa. O plano prevê investimentos superiores a R$ 26 milhões em ações de prevenção, monitoramento, estruturação de brigadas, combate e educação ambiental em todo o estado.
Além da APA Lago de Palmas, o cronograma de execução contempla outras áreas estratégicas, como o Parque Estadual do Jalapão, o Parque Estadual do Cantão, a APA Ilha do Bananal/Cantão e a APA Serra do Lajeado. O objetivo é reduzir os impactos ambientais, econômicos e sociais causados pelos incêndios, especialmente no período mais crítico da estiagem, entre agosto e setembro.
O governador Wanderlei Barbosa destacou a importância das medidas preventivas. “Estamos trabalhando de forma antecipada para proteger o meio ambiente, preservar vidas e garantir segurança às comunidades e produtores rurais. O manejo integrado é essencial, sobretudo no Cerrado, que é altamente sensível ao fogo”, afirmou.
O presidente do Naturatins, Cledson Lima, reforçou que o manejo é uma ferramenta estratégica. “O MIF permite reduzir significativamente a ocorrência de incêndios de grande proporção, protegendo o Cerrado e garantindo segurança para comunidades, rodovias e propriedades rurais”, explicou.
Segundo o supervisor da APA Lago de Palmas, Abel Andrade, muitos incêndios têm origem nas margens das rodovias, o que justifica a atuação nesses locais. “A aplicação do manejo nessas áreas reduz de forma significativa a incidência de focos durante o período mais crítico, quando há ventos fortes e altas temperaturas”, pontuou.
Parceria com comunidades fortalece prevenção
O trabalho tem contado com a participação ativa de produtores rurais e moradores locais. O agricultor Valmir Amaral de Sousa, que possui propriedade próxima à rodovia, relatou mudanças positivas após a implementação das ações. “Há seis anos não enfrentamos mais situações de risco como antes. Os incêndios diminuíram muito e até as nascentes passaram a ter mais água. Antes, tivemos grandes prejuízos com perda de máquinas e equipamentos”, afirmou.
A integração também envolve empresas instaladas na região. O técnico de Segurança do Trabalho Esmailhe Lisboa destacou a importância da prevenção para áreas com cargas perigosas. “Trabalhamos com combustíveis e estamos expostos a riscos. O manejo ajuda a evitar que focos de incêndio atinjam caminhões-tanque e estruturas operacionais”, explicou.
Importância ambiental e hídrica
A APA Lago de Palmas possui cerca de 50.370 hectares e está inserida no bioma Cerrado. A unidade é considerada estratégica para a manutenção da qualidade da água e da segurança hídrica da região.
De acordo com o Naturatins, as ações seguem critérios técnicos rigorosos, respeitando condições climáticas e ambientais adequadas para garantir segurança e eficiência. O manejo integrado inclui monitoramento, prevenção, uso planejado do fogo e combate direto aos incêndios.
Ação integrada entre órgãos
O Plano Integrado de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais 2026 foi elaborado de forma conjunta pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), Naturatins e Corpo de Bombeiros Militar do Tocantins (CBMTO), em articulação com a Defesa Civil Estadual.
A proposta busca fortalecer a atuação coordenada dos órgãos públicos diante dos desafios do período de estiagem, ampliando a capacidade de resposta e reduzindo os impactos dos incêndios em todo o território tocantinense.
Reportagem: Patrícia Alves / Agência Tocantins