
Um vídeo mostra policiais transportando os corpos de quatro suspeitos mortos durante um confronto no sudeste do Tocantins. As imagens registram os corpos sendo levados em uma caminhonete até o Instituto Médico Legal (IML) de Natividade, após a operação realizada no domingo (22), entre os municípios de Paranã e São Salvador do Tocantins.
A ação faz parte de uma ofensiva contra o tráfico internacional de drogas e resultou na apreensão de cerca de meia tonelada de cocaína, além da prisão de um piloto e da apreensão de duas aeronaves.
Confronto em área de mata
Segundo informações das forças de segurança, o grupo investigado vinha sendo monitorado há dias. Policiais militares de Goiás teriam permanecido infiltrados em área de mata fechada por cerca de dez dias, dormindo em redes e enfrentando chuva, para acompanhar a movimentação dos suspeitos.
No local identificado como ponto de apoio do grupo, os agentes encontraram um galpão com dezenas de galões de combustível e buracos escavados no solo, utilizados para esconder drogas e abastecer aviões em voos de longa distância.
Durante a tentativa de abordagem, houve troca de tiros. Quatro suspeitos morreram no local. Outros conseguiram fugir pela mata. Até a última atualização, os corpos não haviam sido identificados.
O cerco continuou na segunda-feira (23), com apoio da Polícia Militar do Tocantins, que realiza buscas na região para localizar os fugitivos.
Piloto preso em pista clandestina
No sábado (21), um dia antes do confronto, o piloto Max Jhonny Saraiva Silva Melo foi preso na zona rural de Dueré, no sul do estado, logo após pousar um monomotor modelo Cessna 210 em uma pista clandestina.
De acordo com investigações da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), a aeronave teria saído da região de fronteira com a Bolívia.
No interior do avião, os agentes encontraram um adesivo da Bolívia, fardos de alimentos e um aparelho de GPS com registros de rotas internacionais. Na mochila do piloto, foram apreendidas porções de cocaína, folhas de coca e dinheiro em moeda estrangeira, incluindo dólares, bolívares e pesos colombianos.
Um detalhe técnico chamou atenção dos investigadores: o celular do piloto conectou-se automaticamente à rede de internet via satélite instalada na aeronave, o que, segundo a apuração, reforçaria a ligação dele com o voo.
Ainda conforme a polícia, Max Jhonny possui antecedentes criminais, com passagens e condenações por roubo e crimes contra o sistema financeiro.
Defesa contesta narrativa
Em nota, a defesa de Max Jhonny afirmou que os fatos ainda estão em fase inicial de apuração e que não podem ser analisados de forma superficial com base apenas nas circunstâncias da prisão.
Os advogados sustentam que a narrativa divulgada publicamente não reflete a complexidade do caso e afirmam que estão adotando as medidas legais cabíveis para o esclarecimento dos fatos. A defesa também declarou confiar no devido processo legal, no contraditório e na ampla defesa.
As investigações seguem para identificar os suspeitos mortos no confronto e apurar a possível atuação de uma organização criminosa envolvida no tráfico internacional de drogas com uso de pistas clandestinas no interior do Tocantins.
Reportagem: Patrícia Alves / Agência Tocantins