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Polícia Civil do Tocantins prende no Paraguai suspeito de vender dados sigilosos de sistemas de segurança pública

Investigação aponta atuação nacional de cibercriminoso que utilizava golpes de phishing para capturar credenciais e lucrar com consultas ilegais.

Patrícia Alves
Por: Patrícia Alves Fonte: Redação | Agência Tocantins
29/04/2026 às 16h19
Polícia Civil do Tocantins prende no Paraguai suspeito de vender dados sigilosos de sistemas de segurança pública
Suspeito foi entregue na fronteira do Brasil com o Paraguai - Foto: Divulgação SSP TO

A Polícia Civil do Tocantins prendeu, no Paraguai, o principal investigado de um esquema criminoso especializado na captura e uso indevido de credenciais de acesso a sistemas institucionais de segurança pública. A ação foi conduzida pela 6ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (6ª DEIC), de Paraíso do Tocantins, e teve origem em uma investigação iniciada após uma campanha de phishing direcionada a policiais civis do Estado.

Segundo as investigações, o suspeito, morador de Paranavaí (PR), tentou fugir ao perceber que estava sendo monitorado, atravessando a fronteira antes de ser localizado e preso. Após a captura, ele foi entregue pela polícia paraguaia às autoridades da Polícia Federal do Brasil e encaminhado para uma unidade penal em Guaíra, no Paraná.

Durante a operação, dois endereços ligados ao investigado em Paranavaí foram alvo de mandados de busca e apreensão. Em um condomínio de luxo onde ele residia, os agentes localizaram o computador utilizado nos crimes virtuais. Já em uma empresa vinculada ao suspeito, foi apreendida uma arma de fogo calibre 9 milímetros. Outras diligências seguem em andamento.

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As apurações revelaram que o homem atuava, ao menos, desde 2024, aplicando golpes de phishing para obter logins e senhas de policiais civis do Tocantins. A fraude consistia no envio de páginas falsas que simulavam sistemas oficiais da Secretaria da Segurança Pública do Estado. Entre 2024 e março de 2026, foram identificadas pelo menos quatro campanhas criminosas desse tipo.

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Com os dados obtidos ilegalmente, o investigado teria montado uma estrutura com diversos servidores virtuais para acessar de forma automatizada sistemas policiais e realizar consultas sigilosas de pessoas e veículos. As informações, posteriormente, eram vendidas em plataformas clandestinas na internet.

A Polícia Civil também identificou que o suspeito administrava toda a infraestrutura tecnológica necessária para o funcionamento do esquema, lucrando com a comercialização dos dados.

Além de credenciais de policiais civis do Tocantins, o investigado possuía acessos pertencentes a policiais civis e militares de outros estados, como Piauí, Amazonas, Maranhão e Paraná, além de dados ligados a Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans) e outros sistemas institucionais. No Tocantins, ao menos sete credenciais teriam sido comprometidas.

Para dificultar a identificação, o suspeito utilizava serviços de VPN e outras ferramentas de anonimização digital, simulando conexões originadas em países da Europa, Oriente Médio e Ásia. Mesmo assim, a Polícia Civil do Tocantins conseguiu rastrear e identificar o operador do esquema por meio de investigação técnica especializada.

As investigações indicam que, em cerca de 40 dias, entre março e abril deste ano, o investigado pode ter movimentado aproximadamente R$ 90 mil com a atividade criminosa. Considerando a continuidade das ações desde pelo menos 2023, a estimativa é de que o lucro total alcance R$ 6 milhões. A Justiça determinou o bloqueio de bens e ativos financeiros no mesmo valor.

O suspeito também responde por lavagem de capitais. Conforme a polícia, ele teria criado uma empresa de fachada registrada como prestadora de serviços de análise de crédito para dar aparência legal aos recursos obtidos com os crimes.

De acordo com o delegado Antônio Onofre Oliveira da Silva Filho, responsável pelo caso, a operação evidencia a capacidade investigativa da Polícia Civil diante de crimes digitais complexos.

“Essa operação demonstra a capacidade investigativa da Polícia Civil do Tocantins diante de crimes cibernéticos cada vez mais sofisticados. Mesmo com o uso de servidores virtuais, VPNs e técnicas de engenharia social, conseguimos identificar o responsável pela estrutura criminosa. Ninguém fica anônimo na internet”, afirmou.

As diligências também apontaram que o investigado ostentava alto padrão de vida nas redes sociais, com aquisição de imóveis de luxo supostamente financiados com recursos ilícitos.

A Polícia Civil destaca que o uso indevido de credenciais institucionais representa grave ameaça à segurança pública, especialmente por envolver acesso a bases de dados sensíveis. As investigações prosseguem para identificar outros envolvidos e ampliar o alcance das medidas judiciais.

O nome da operação, ROLLBACK, faz referência ao comando utilizado em bancos de dados para desfazer transações e restaurar a integridade de informações, em alusão ao trabalho de recuperação da segurança dos sistemas públicos.

A ação integra a Operação RENORCRIM, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, e contou com apoio de diversas forças policiais do Tocantins, Paraná, Paraguai e Polícia Federal do Brasil.

 


Reportagem: Patrícia Alves / Agência Tocantins

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